Resíduo siderúrgico e conchas ajudam a limpar água e gerar combustível
Nanomaterial criado por cientistas brasileiros utiliza resíduos de conchas marinhas e de siderurgia para limpar água e produzir hidrogênio

Em um novo estudo liderado por brasileiros, pesquisadores descobriram que um material produzido a partir de resíduos da indústria siderúrgica e de conchas marinhas é capaz de degradar poluentes na água e gerar hidrogênio (H₂), um combustível limpo considerado uma das grandes promessas para a transição energética.
Trata-se de um nanomaterial ativado pela luz solar. A nova tecnologia foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os resultados foram publicados no International Journal of Hydrogen Energy em setembro.
Como funciona o material?
A tecnologia foi desenvolvida a partir de uma heterojunção, que é a interface entre dois materiais semicondutores distintos. No caso do nanomaterial do estudo, foram combinados a hidroxiapatita (proveniente das conchas marinhas) e o óxido de ferro (proveniente da siderurgia).
Ao expor a combinação à luz solar, o sistema criado eliminou 75% do azul de metileno da água em menos de três horas. Esse corante, amplamente utilizado na indústria têxtil, pode prejudicar a saúde humana e afetar a fotossíntese de organismos aquáticos por bloquear a passagem de luz na água. Além disso, a junção demonstrou capacidade de produzir hidrogênio.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo estudo, o sistema foi testado com três proporções diferentes de óxido de ferro, e a que mais se mostrou eficiente foi a versão com 40% do composto. Para testar o desempenho do nanomaterial em condições próximas às encontradas em ambientes naturais, foram realizados experimentos com água da chuva, de lago e da torneira.
Apesar dos resultados promissores, os autores afirmam que a tecnologia ainda não está pronta para produção em larga escala. Ela precisa superar desafios como aumentar a eficiência na produção de hidrogênio, quantificar o gás produzido de forma mais precisa e verificar a estabilidade do material por períodos mais longos.



