Descarte incorreto de eletrônicos pode causar danos ao meio ambiente
Descartar eletrônicos antigos corretamente é essencial para reduzir a necessidade de extração de recursos naturais e proteger solo e água

O descarte de eletrônicos ainda é um desafio no Brasil. Celulares quebrados, computadores antigos, carregadores, pilhas, baterias e pequenos eletrodomésticos costumam permanecer esquecidos em gavetas ou acabam no lixo comum, destino que pode causar impactos ambientais e comprometer a reciclagem de materiais valiosos.
Além de evitar a contaminação do solo e da água, o descarte correto permite que metais, plásticos e outros componentes retornem à cadeia produtiva por meio da logística reversa, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
O que pode ser descartado e onde encontrar pontos de coleta
Pilhas, baterias e diversos eletroeletrônicos podem ser encaminhados para pontos de coleta específicos. Esses locais recebem gratuitamente os materiais e fazem parte do sistema de logística reversa, que garante o encaminhamento adequado dos resíduos para reciclagem ou destinação ambientalmente correta.
Segundo o gerente executivo Ademir Brescansin, da Green Eletron, a entidade mantém milhares de pontos de entrega voluntária distribuídos em mais de 1,3 mil cidades brasileiras. Eles estão instalados em farmácias, supermercados, shoppings, lojas de varejo e outros estabelecimentos parceiros.
“O descarte correto transforma um resíduo em matéria-prima para novos produtos, fortalecendo a economia circular e reduzindo o desperdício de recursos”, afirma Brescansin.
Depois da entrega, os equipamentos passam por etapas de coleta, transporte, triagem e reciclagem. Os materiais recuperados, como metais e plásticos, retornam para a indústria, enquanto componentes que exigem tratamento especial recebem destinação ambientalmente adequada.
Por que o descarte inadequado preocupa
Quando equipamentos eletrônicos são descartados no lixo comum ou em locais irregulares, eles podem sofrer danos que favorecem a liberação de substâncias presentes em seus componentes. Isso aumenta o risco de contaminação do solo e da água, além de sobrecarregar aterros sanitários, que não foram projetados para receber esse tipo de resíduo.
No Distrito Federal, o problema ganha ainda mais relevância devido à importância da região para o abastecimento hídrico nacional. De acordo com a engenheira ambiental Beatriz Barcelos, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), a infiltração de metais pesados no solo pode atingir aquíferos e comprometer recursos hídricos que abastecem diferentes regiões do país.
“O problema do lixo eletrônico vai além do acúmulo de resíduos: ele envolve a proteção da qualidade da água, do solo e da biodiversidade”, explica a engenheira ambiental.
A especialista também alerta que a queima irregular desses resíduos libera gases tóxicos, como dioxinas e furanos, que degradam a qualidade do ar e podem se acumular no ambiente.
O que fazer com aparelhos sem uso
Guardar aparelhos eletrônicos antigos por tempo indeterminado ou descartá-los junto ao lixo doméstico não são alternativas recomendadas. A orientação é separar os equipamentos sem uso e encaminhá-los a pontos de coleta credenciados.
Além de reduzir os riscos ambientais, o descarte de eletrônicos contribui para ampliar a reciclagem, fortalecer a logística reversa e incentivar a economia circular, permitindo que materiais que antes seriam descartados retornem ao processo produtivo de forma segura.


