Resfriamento de mancha fria no Atlântico preocupa cientistas. Entenda
Em estudo baseado por dados meteorológicos, pesquisadores encontraram evidências de que o clima mundial pode se alterar nos próximos anos

Apesar dos oceanos estarem mais quentes devido às mudanças climáticas, uma “mancha fria” no Atlântico Norte, localizado entre a Groenlândia e a Islândia, tem se resfriado cada dia mais. Segundo um novo estudo, o fenômeno curioso pode ser uma evidência de que a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), um sistema de correntes oceânicas importantes para o clima mundial, está enfraquecendo.
Além do novo indício, outros dados descobertos ao longo dos anos já apontavam que a AMOC está perdendo a força, especialmente devido às alterações no clima. O sistema é responsável por transportar calor dos trópicos e Hemisfério Sul ao Atlântico Norte, porém o resfriamento maior da mancha mostra que a ação não tem surtido efeito.
“Nossa análise apoia a interpretação da ‘mancha fria’ observada como um sinal de enfraquecimento da AMOC, que é um componente importante do transporte lateral de calor para aquela região do giro subpolar”, escreveram os autores no artigo.
A descoberta mais recente foi liderada pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha. Os resultados foram disponibilizados na revista Geophysical Research Letters no final de maio.
O achado se baseou em dados meteorológicos vindos de diferentes fontes, como satélites, navios e boias. As informações foram combinadas com modelos climáticos e, a partir daí, se deu a conclusão.
Quais as consequências da fraqueza da AMOC no Atlântico?
Segundo os pesquisadores, o resfriamento da mancha se dá não apenas pela perda de calor na superfície, mas também em profundidades consideráveis, indicando a falta de força da AMOC.
Caso o sistema continue perdendo temperatura até parar de funcionar, os especialistas afirmam que haverá mudanças radicais no clima mundial. Entre as alterações, os invernos europeus podem ficar mais extremos, as secas piorariam na Amazônia e o nível do mar em uma parte das Américas se elevaria.
Preocupados com as consequências, pesquisadores climáticos continuam monitorando a AMOC e discutem em busca de soluções para cessar o enfraquecimento do sistema.


