Eternos? Biólogos explicam por que alguns animais quase não envelhecem
Estudos sobre o envelhecimento mostram que alguns animais possuem mecanismos genéticos capazes de retardar ou reduzir os efeitos da idade
atualizado
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Alguns animais parecem desafiar o tempo. Enquanto muitas espécies apresentam sinais claros de desgaste ao longo dos anos, outras mantêm funções corporais praticamente estáveis durante grande parte da vida. Para biólogos, o segredo está nos mecanismos genéticos e celulares ligados ao envelhecimento.
Segundo o professor de Biologia Marcello Lasneaux, da Heavenly International School, em Brasília, o processo de envelhecer não acontece da mesma forma em todos os organismos. “O envelhecimento varia muito entre as espécies porque está ligado a uma programação genética própria de cada uma delas”, explica.
De acordo com o especialista, essa programação envolve tanto mecanismos que promovem o envelhecimento quanto outros que podem compensar ou reduzir seus efeitos.
Programação genética
Essas diferenças ajudam a explicar por que algumas espécies apresentam envelhecimento extremamente lento. Lasneaux afirma que alguns animais costumam ter sistemas biológicos capazes de reparar danos no material genético, regular a expressão de genes e mitigar processos celulares que aceleram o desgaste do organismo.
Entre os exemplos mais conhecidos estão organismos que apresentam o que os cientistas chamam de “senescência negligenciável”, quando o impacto do envelhecimento sobre o corpo é muito pequeno. Esse fenômeno já foi observado em cnidários, como hidras e algumas águas-vivas, além de ocorrer em certos mamíferos, como a baleia-da-Groenlândia, elefantes e jumentos.
O professor de Biologia Victor Maciel, do Colégio Galois, em Brasília, aponta que o metabolismo também influencia diretamente nesse processo.
“O envelhecimento está ligado a oxidações geradas pelo metabolismo. Quando esses mecanismos acumulam falhas, surgem sinais de desgaste no organismo”, explica.
Em espécies que envelhecem mais lentamente, mecanismos celulares conseguem reparar o DNA com mais eficiência e neutralizar radicais livres, que são moléculas associadas ao dano celular. Segundo Maciel, alguns répteis, tartarugas e cnidários são exemplos de animais que mostram poucos sinais de envelhecimento ao longo da vida, mantendo funções biológicas relativamente estáveis até fases avançadas.

Influência do ambiente
O ambiente também pode influenciar o ritmo desse processo. Temperatura, disponibilidade de alimento, presença de predadores e níveis de estresse são fatores que interferem no funcionamento do organismo.
Ambientes mais estáveis tendem a favorecer um envelhecimento mais lento, enquanto situações de estresse constante podem acelerar o desgaste biológico.
O que a ciência pode aprender com esses animais
O estudo desses animais desperta interesse da ciência porque pode ajudar a compreender melhor o envelhecimento humano. Como muitos genes são compartilhados entre diferentes espécies, pesquisadores investigam se mecanismos de reparo genético observados em outros animais poderiam inspirar novas estratégias médicas no futuro.
Mesmo assim, especialistas ressaltam que envelhecimento lento não significa imortalidade. Lasneaux explica que, além da programação genética, fatores como doenças, traumas e alterações metabólicas também influenciam o tempo de vida.
“Não podemos falar em imortalidade. O envelhecimento é apenas uma das variáveis que interferem na longevidade”, afirma.
Assim, embora alguns animais pareçam envelhecer muito pouco, a biologia ainda impõe limites naturais ao tempo de vida de qualquer organismo.
