Estudo: plantas podem viver 2 bilhões de anos a mais que o estimado
Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a estimativa otimista de sobrevivência das plantas dependerá do regime de desagregação mundial

Mesmo diante de um aquecimento global cada vez mais disseminado, as plantas ainda sobreviverão por muito tempo na Terra. É o que aponta um novo estudo responsável por simular cenários de como o futuro climático terrestre afetaria os vegetais. Segundo a estimativa feita por eles, a biosfera vegetal poderá viver entre 1,35 bilhão e 1,86 bilhão de anos a mais do que estudos anteriores diziam.
Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a esperança de sobrevivência dependerá do regime de intemperismo, uma reação química entre rochas, chuva e dióxido de carbono (CO2) que remove esse gás da atmosfera e o deposita no fundo do mar. Para as plantas, esse equilíbrio de CO2 é vital, pois elas dependem do gás para fazer fotossíntese
O trabalho liderado pela organização sem fins lucrativos Blue Marble Space, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados no Journal of Geophysical Research: Atmospheres em 28 de maio deste ano.
O que está por trás do destino das plantas na Terra
A energia solar é responsável por definir a temperatura da superfície terrestre, fator determinante para a existência de vida na Terra a longo prazo, incluindo a das plantas. Além do aumento energético gradual do Sol, a elevação da produção de gases de efeito estufa proporciona uma concentração maior de CO2 na atmosfera, o que, em tese, ajuda a sobrevivência dos vegetais.
Porém, como o processo de intemperismo pode acabar removendo o CO2 do ar para o fundo dos oceanos, esse movimento tende a deixar as plantas sem o seu principal ingrediente para realizar a fotossíntese.
Com o objetivo de analisar o que poderia ocorrer no futuro, os pesquisadores utilizaram um modelo climático de circulação geral 3D e simularam cenários em que o intemperismo era forte ou fraco. Para isso, eles estudaram três classes de plantas:
- C3, um tipo abundante em 95% da Terra e que tem como exemplos a soja, o feijão, o trigo e outros;
- C4, abundante em 3% da Terra e tem como exemplos o milho e a cana-de-açúcar;
- Plantas com fotossíntese CAM, abundante em 2% da Terra e que tem como exemplos os cactos e as bromélias.
Segundo os pesquisadores, o grupo das plantas C3 não sobrevive a concentrações de CO2 abaixo de 50 partes por milhão (ppm) na atmosfera; as C4 não sobrevivem a concentrações abaixo de cerca de 10 ppm; já as pertencentes ao grupo de fotossíntese CAM não resistem a concentrações menores que 10 ppm
Ao simular esses cenários, os cientistas consideram um ambiente com intemperismo fraco e outro forte. No primeiro, o planeta ficaria mais quente, o efeito estufa maior e o CO2 estaria presente em níveis consideráveis, o que tornaria a sobrevivência das plantas entre 1,35 bilhão a 1,86 bilhão de anos a mais do que as estimativas anteriores apontavam. Porém, anos depois a Terra perderia as condições de vida.
No cenário de intemperismo forte, a reação química retiraria mais CO2 da atmosfera, diminuindo o efeito estufa e compensando parte do aquecimento causado pelo Sol. No entanto, as plantas ficariam sem matéria-prima para sobreviver por mais tempo.
De acordo com os pesquisadores, o resultado dessa estimativa da sobrevivência das plantas se difere das anteriores, pois se baseia em um modelo climático que leva em consideração a grande gama de composições atmosféricas no planeta, ao contrário dos outros estudos.
“Descobrimos que a vida na Terra sobreviveria pelo menos até que o brilho intenso do Sol evaporasse nossos oceanos, daqui a quase 2 bilhões de anos”, disse Haqq-Misra. “E mesmo assim, a vida pode encontrar uma maneira de deixar a Terra e continuar prosperando além dela”, afirma um dos autores do estudo, Jacob Haqq‐Misra, em comunicado.


