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Ciência

Estudo: plantas podem viver 2 bilhões de anos a mais que o estimado

Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a estimativa otimista de sobrevivência das plantas dependerá do regime de desagregação mundial

24/06/2026 18:48
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Oleh Malshakov/Getty Images
Imagem colorida mostra raizes de planta

Mesmo diante de um aquecimento global cada vez mais disseminado, as plantas ainda sobreviverão por muito tempo na Terra. É o que aponta um novo estudo responsável por simular cenários de como o futuro climático terrestre afetaria os vegetais. Segundo a estimativa feita por eles, a biosfera vegetal poderá viver entre 1,35 bilhão e 1,86 bilhão de anos a mais do que estudos anteriores diziam. 

Por outro lado, os pesquisadores afirmam que a esperança de sobrevivência dependerá do regime de intemperismo, uma reação química entre rochas, chuva e dióxido de carbono (CO2)  que remove esse gás da atmosfera e o deposita no fundo do mar. Para as plantas, esse equilíbrio de CO2 é vital, pois elas dependem do gás para fazer fotossíntese

O trabalho liderado pela organização sem fins lucrativos Blue Marble Space, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados no Journal of Geophysical Research: Atmospheres em 28 de maio deste ano.

O que está por trás do destino das plantas na Terra

A energia solar é responsável por definir a temperatura da superfície terrestre, fator determinante para a existência de vida na Terra a longo prazo, incluindo a das plantas. Além do aumento energético gradual do Sol, a elevação da produção de gases de efeito estufa proporciona uma concentração maior de CO2 na atmosfera, o que, em tese, ajuda a sobrevivência dos vegetais.

Porém, como o processo de intemperismo pode acabar removendo o CO2 do ar para o fundo dos oceanos, esse movimento tende a deixar as plantas sem o seu principal ingrediente para realizar a fotossíntese.

Com o objetivo de analisar o que poderia ocorrer no futuro, os pesquisadores utilizaram um modelo climático de circulação geral 3D e simularam cenários em que o intemperismo era forte ou fraco. Para isso, eles estudaram três classes de plantas:

  • C3, um tipo abundante em 95% da Terra e que tem como exemplos a soja, o feijão, o trigo e outros;
  • C4, abundante em 3% da Terra e tem como exemplos o milho e a cana-de-açúcar;
  • Plantas com fotossíntese CAM, abundante em 2% da Terra e que tem como exemplos os cactos e as bromélias.

Segundo os pesquisadores, o grupo das plantas C3 não sobrevive a concentrações de CO2 abaixo de 50 partes por milhão (ppm) na atmosfera; as C4 não sobrevivem a concentrações abaixo de cerca de 10 ppm; já as pertencentes ao grupo de fotossíntese CAM não resistem a concentrações menores que 10 ppm

Ao simular esses cenários, os cientistas consideram um ambiente com intemperismo fraco e outro forte. No primeiro, o planeta ficaria mais quente, o efeito estufa maior e o CO2 estaria presente em níveis consideráveis, o que tornaria a sobrevivência das plantas entre 1,35 bilhão a 1,86 bilhão de anos a mais do que as estimativas anteriores apontavam. Porém, anos depois a Terra perderia as condições de vida.

No cenário de intemperismo forte, a reação química retiraria mais CO2 da atmosfera, diminuindo o efeito estufa e compensando parte do aquecimento causado pelo Sol. No entanto, as plantas ficariam sem matéria-prima para sobreviver por mais tempo. 

De acordo com os pesquisadores, o resultado dessa estimativa da sobrevivência das plantas se difere das anteriores, pois se baseia em um modelo climático que leva em consideração a grande gama de composições atmosféricas no planeta, ao contrário dos outros estudos.

“Descobrimos que a vida na Terra sobreviveria pelo menos até que o brilho intenso do Sol evaporasse nossos oceanos, daqui a quase 2 bilhões de anos”, disse Haqq-Misra. “E mesmo assim, a vida pode encontrar uma maneira de deixar a Terra e continuar prosperando além dela”, afirma um dos autores do estudo, Jacob Haqq‐Misra, em comunicado.