Estudo encontra DNA de várias plantas e animais no Sudário de Turim

Análise genética detectou vestígios de várias espécies no tecido histórico e reforça debate científico sobre sua origem

atualizado

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Philippe Lissac/Getty Images
Ilustração sudário de turim. Metrópoles
1 de 1 Ilustração sudário de turim. Metrópoles - Foto: Philippe Lissac/Getty Images

O Sudário de Turim, tecido que alguns religiosos acreditam ter envolvido o corpo de Jesus após a crucificação, contém vestígios de DNA de várias espécies de plantas, animais e de diferentes pessoas. A conclusão aparece em uma nova análise genética baseada em amostras coletadas do pano décadas atrás.

O estudo utilizou técnicas modernas de análise genômica para examinar fragmentos microscópicos presentes no tecido.

Os resultados, publicados em 31 de março no bioRxiv, indicam que o sudário acumulou uma grande diversidade de material biológico ao longo do tempo, provavelmente devido ao contato humano e à exposição ao ambiente durante séculos de circulação pública.

Entre os vestígios identificados estão DNA de plantas como cenoura, trigo, milho, tomate, batata, melão e amendoim, além de material genético de animais domésticos como cães, gatos, galinhas e bovinos. Também foram encontrados traços de peixes, ácaros da pele e carrapatos.

Uma parte significativa do material genético detectado pertence a bactérias, que representaram entre 10% e 31% das sequências analisadas. O tecido também apresentou DNA humano de várias pessoas, incluindo provavelmente indivíduos que manipularam o objeto ao longo de sua história ou durante estudos científicos realizados no passado.

O que o DNA encontrado sugere

Os pesquisadores também identificaram DNA de coral vermelho do Mediterrâneo, espécie usada tradicionalmente em objetos religiosos como rosários e relicários, o que sugere que o sudário pode ter entrado em contato com itens desse tipo ao longo de sua trajetória histórica.

Alguns dos vestígios vegetais encontrados levantaram ainda outra questão importante. Espécies como tomate, batata e pimentão chegaram à Europa apenas após o século 16, depois das viagens de exploração às Américas. A presença desse material indica que parte da contaminação ocorreu muito tempo depois da origem do tecido.

Os pesquisadores também notaram a ausência de espécies frequentemente associadas ao ambiente do Oriente Médio e às narrativas bíblicas, como oliveiras, tâmaras, romãs ou plantas usadas em rituais antigos.

Para alguns especialistas, isso enfraquece a hipótese de que o sudário tenha origem direta na região onde teria ocorrido a crucificação.

Debate sobre a origem do sudário continua

Apesar das novas análises, o estudo não altera uma das evidências científicas mais citadas no debate sobre o objeto. Em 1989, exames de datação por carbono indicaram que o tecido foi produzido entre os anos de 1260 e 1390, situando sua origem no período medieval.

O Sudário de Turim mede cerca de 4,4 metros de comprimento por 1,1 metro de largura e apresenta a imagem pouco nítida de um homem, além de marcas que alguns interpretam como sangue. Desde que passou a circular pela Europa, ele tem sido objeto de intensos debates entre cientistas, historiadores e religiosos.

Para muitos especialistas, a grande diversidade de DNA encontrada no tecido é compatível com sua longa história de exibição pública e manipulação por diferentes pessoas ao longo dos séculos.

Nesse contexto, o material genético presente no sudário provavelmente reflete mais os ambientes por onde ele passou e as pessoas que o manipularam ao longo dos séculos.

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