Astrônomos detectam dois planetas nascendo em torno de estrela jovem
É apenas a 2ª vez que os pesquisadores detectaram um sistema formador de planetas no Universo. A observação foi através do telescópio VLT
atualizado
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Segundo a Nasa, os planetas se formam através de aglomerados de gás e poeira ao redor de uma estrela central. Por meio da gravidade e outras forças do espaço, o material se choca e funde-se. Com o tempo o objeto vai se desenvolvendo e pode se tornar tanto um gigante gasoso, como Júpiter e Saturno, tanto um rochoso, como a Terra.
Mas já imaginou flagrar esse processo ocorrendo quase em tempo real? Foi o que uma equipe internacional de astrônomos conseguiu, ao observar a formação de dois planetas no disco de gás e poeira em volta da estrela jovem denominada WISPIT 2.
A visão foi possível devido ao Very Large Telescope (VLT), um instrumento óptico avançado localizado no Chile e operado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).
A observação e descoberta foi liderada pela pesquisadora Chloe Lawlor, da Universidade de Galway, na Irlanda, em parceria com outros cientistas. Os resultados foram publicados nesta terça-feira (24/3) na revista The Astrophysical Journal Letters.
Segundo os astrônomos, a detecção do nascimento dos planetas lembra como foi o desenvolvimento do nosso próprio Sistema Solar em seus primórdios. “O WISPIT 2 é a melhor visão do nosso próprio passado que temos até hoje ”, afirma Chloe em comunicado.
O sistema planetário formado por WISPIT 2 é apenas o segundo já visto por pesquisadores. A primeira estrela a ser detectada em processo de formação de planetas ao seu redor foi a PDS 70. Porém, como possui características mais bem definidas, a mais nova descoberta possibilita uma visão mais detalhada do processo.
Como foi a detecção dos planetas
O primeiro planeta nascido do sistema, o WISPIT 2b, foi detectado em 2025. Grande, ele possui uma massa cerca de cinco vezes maior que a de Júpiter e orbita a estrela central quase 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Posteriormente, pistas mostraram que poderia haver mais um objeto planetário próximo.
Ao utilizar instrumentos do VLT, os astrônomos fotografaram o objeto e depois confirmaram que se tratava de mais um planeta no sistema, batizado de WISPIT 2c. Em comparação a seu irmão, ele está quatro vezes mais perto da estrela central e é ainda maior, tendo o dobro da massa do WISPIT 2b.
“O WISPIT 2 nos oferece um laboratório crucial não apenas para observar a formação de um único planeta, mas de um sistema planetário inteiro”, destaca o coautor do estudo, Christian Ginski, pesquisador da Universidade de Galway.
Também há pistas de que pode existir um terceiro planeta orbitando a estrela, mas é necessário realizar novas observações para confirmar mais uma descoberta.
De qualquer maneira, o achado ajuda os especialistas a observar mais detalhes do processo de como um sistema planetário em formação se transforma em um maduro, assim como o nosso Sistema Solar.
