Entenda como cientistas descobrem planetas fora do Sistema Solar

Observação de estrelas, análise de luz e telescópios ajudam cientistas a identificar milhares de planetas em outros sistemas estelares

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John Davis/Stocktrek Images/Getty Images
Dentro do observatório, um astrônomo realiza observações com um grande telescópio refrator no campus de astronomia 3RF, no Texas. Metrópoles
1 de 1 Dentro do observatório, um astrônomo realiza observações com um grande telescópio refrator no campus de astronomia 3RF, no Texas. Metrópoles - Foto: John Davis/Stocktrek Images/Getty Images

O universo sempre despertou curiosidade sobre o que existe além do nosso próprio planeta. Nas últimas décadas, essa curiosidade cresceu com a descoberta de milhares de mundos fora do Sistema Solar. Mas, como os cientistas conseguem identificar planetas tão distantes da Terra?

Esse é justamente o desafio enfrentado por astrônomos e astrofísicos que buscam os chamados exoplanetas, que orbitam estrelas além do nosso Sol.

Segundo o astrofísico Eder Martioli, pesquisador do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), as primeiras descobertas desse tipo só aconteceram recentemente.

“Os planetas que orbitam outras estrelas, chamados de exoplanetas, foram descobertos pela primeira vez apenas em 1995. Isso demorou a acontecer principalmente por limitações tecnológicas da época”, explica.

Hoje, no entanto, o cenário é bem diferente. Mais de 6 mil exoplanetas já foram confirmados por cientistas ao redor do mundo.

Detectar esses corpos celestes, porém, não é uma tarefa simples. Os planetas são muito menores e menos luminosos do que as estrelas ao seu redor e, além disso, estão a distâncias enormes da Terra. Por isso, na maioria das vezes, os pesquisadores não conseguem observá-los diretamente.

Como os cientistas encontram novos planetas?

Em vez de enxergar o planeta em si, os cientistas analisam sinais indiretos que indicam sua presença. De acordo com o astrônomo Adriano Leonês, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), os corpos celestes costumam revelar sua existência por meio de efeitos que causam nas estrelas que orbitam.

“Mesmo sem enxergar o planeta diretamente, é possível perceber pequenas variações no brilho da estrela ou movimentos leves provocados pela gravidade do planeta”, esclarece.

Um dos métodos mais usados é chamado de técnica de trânsito. Nesse caso, os pesquisadores monitoram o brilho de uma estrela ao longo do tempo. Quando um planeta passa na frente dela, bloqueia uma pequena parte da luz, provocando leve diminuição no brilho observado.

Essas variações são registradas por telescópios e analisadas em sequências de observações. A partir desses dados, os cientistas conseguem estimar características importantes, como o tamanho do planeta e o tempo que ele leva para completar uma órbita.

Outra técnica importante envolve medir pequenas variações na velocidade da estrela causadas pela atração gravitacional do planeta. Esse método utiliza o chamado efeito Doppler, que detecta mudanças na luz emitida pela estrela quando ela se movimenta.

Ilustração colorida de exoplanetas - Metrópoles
Entre os principais exoplanetas descobertos, há exemplares com massas parecidas com às de Netuno e Urano

Telescópios e missões espaciais

Grande parte das descobertas recentes foi possível graças ao avanço dos instrumentos de observação. Missões espaciais como os telescópios Kepler e TESS, da Nasa, foram projetadas para monitorar milhares de estrelas ao mesmo tempo em busca de sinais característicos da presença de planetas.

Segundo Martioli, os telescópios realizam grandes levantamentos astronômicos que acompanham o brilho de inúmeras estrelas por longos períodos.

Quando um possível sinal é detectado, o objeto passa a ser considerado um candidato a exoplaneta. Depois disso, outros pesquisadores e telescópios entram em ação para confirmar a descoberta.

“Muitos desses candidatos precisam ser observados novamente por telescópios instalados na Terra para confirmar a existência do planeta e determinar suas propriedades com maior precisão”, explica.

No Brasil, por exemplo, cientistas utilizam telescópios instalados no Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, para acompanhar sistemas e medir com mais detalhe características das estrelas e de seus possíveis planetas.

Além deles, grandes observatórios internacionais e telescópios espaciais como o Hubble e o James Webb também ajudam a estudar esses mundos distantes, inclusive analisando a composição de suas atmosferas.

Planetas que podem ser parecidos com a Terra

Depois que um planeta é confirmado, os cientistas passam a investigar se ele pode ter condições semelhantes às da Terra. Para isso, vários fatores são analisados, como o tamanho do planeta, sua massa e a distância em relação à estrela que orbita.

Um dos pontos mais importantes é a chamada zona habitável, região ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida na superfície.

Além disso, os pesquisadores também procuram sinais na atmosfera do planeta, como vapor d’água, oxigênio ou metano, que podem indicar processos químicos ou até biológicos.

Entre os sistemas mais estudados atualmente está o TRAPPIST-1, que possui sete planetas orbitando uma mesma estrela. Alguns deles estão localizados justamente na zona considerada potencialmente habitável.

Apesar dos avanços, os cientistas afirmam que a descoberta de exoplanetas ainda é um campo em expansão. Novas missões e telescópios devem ampliar o número de planetas identificados e permitir estudos mais detalhados desses sistemas.

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