L 98-59 d: conheça o exoplaneta com oceano de magma rico em enxofre
Para os pesquisadores, o oceano de magma rico em enxofre e as outras características do L 98-59 d abre uma nova categoria de planetas
atualizado
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Pesquisadores internacionais identificaram um novo exoplaneta com atributos incomuns, que pode ser classificado como um tipo planetário nunca visto antes. Batizado de L 98-59 d, o objeto possui um oceano de magma, o material armazenado no interior dos vulcões, além de grandes quantidades de enxofre guardadas nas “águas” superaquecidas.
O planeta orbita uma estrela vermelha pequena, localizada a cerca de 35 anos-luz da Terra. Apesar de ter 1,6 o tamanho do nosso planeta, o L 98-59 d tem densidade baixa em relação à sua dimensão e tem boas porções de sulfeto de hidrogênio (H2S) na atmosfera – o H2S é resultado da combinação entre hidrogênio e enxofre.
Ao ser identificado, os astrônomos chegaram a pensar em classificá-lo em duas categorias de planeta:
- um anão gasoso, quando o exoplaneta é menor que Netuno e tem o núcleo envolto de hidrogênio e hélio;
- um mundo rico em água, com oceanos profundos e gelo.
No entanto, o exoplaneta não se encaixava em nenhum dos tipos, o que fez os especialistas classificarem o L 98-59 d em uma classe de planetas com moléculas pesadas de enxofre, uma categoria inédita até agora.
As observações foram realizadas com instrumentos ópticos terrestres e espaciais, incluindo o Telescópio Espacial James Webb (JWST). O estudo liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, teve os resultados publicados na revista Nature Astronomy nessa segunda-feira (16/3).
Oceano de magma: o reservatório do exoplaneta
Através de simulações computacionais, os pesquisadores reconstruíram os quase cinco bilhões de anos de história do exoplaneta, de sua formação até os dias atuais. Foram usados dados das observações telescópicas junto com modelos físicos do interior e atmosfera planetária.
Segundo os resultados, o manto do L 98-59 d é feito de silicato fundido, um material parecido com a lava terrestre. Ele também possui um oceano com magma, que percorre milhares de quilômetros abaixo da superfície.
É justamente por meio do reservatório de magma que o planeta guarda boas quantidades de enxofre em seu interior. Com a atmosfera rica em hidrogênio, as trocas químicas entre ambos resultam em sulfeto de hidrogênio, um gás incolor com cheiro característico de ovo podre.
As observações também apontam que o dióxido de enxofre e outros gases sulfurosos presentes no L 98-59 d podem ser produzidos pela luz ultravioleta da estrela hospedeira do exoplaneta. Assim que os elementos químicos são criados, o oceano atua como um reservatório, guardando e liberando gases voláteis ao longo dos anos.
Por ter muito material volátil – ou seja, que passa facilmente para o estado gasoso –, o exoplaneta provavelmente já foi maior do que é atualmente e encolheu com o tempo.
A expectativa é que existam mais planetas com características semelhantes ao L 98-59 d, ricos em gás e com grandes oceanos de magma.
“Embora seja improvável que este planeta derretido abrigue vida, ele reflete a grande diversidade de mundos que existem além do sistema solar. Podemos então nos perguntar: que outros tipos de planeta estão esperando para serem descobertos?”, diz o autor principal do estudo, Harrison Nicholls, em comunicado.
