Astrônomos encontram evidências raras da colisão de dois planetas
Ao revisar arquivos de 2020, pesquisadores notaram um detalhe inusitado, sugerindo a colisão entre dois planetas
atualizado
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Astrônomos da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, acreditam ter vislumbrado um dos fenômenos mais raros do espaço: a colisão de dois planetas. O estudo com as novas evidências foi publicado nessa quarta-feira (11/3), no The Astrophysical Journal Letters.
O astrônomo Anastasios Tzanidakis revisava observações telescópicas de 2020 quando notou um detalhe inusitado. Uma estrela aparentemente comum, parecida com o nosso Sol e localizada a cerca de 11 mil anos-luz da Terra, tinha um brilho intenso e instável, muito diferente das suas semelhantes.
Inicialmente, Tzanidakis e seus parceiros de pesquisa ficaram confusos. Logo eles perceberam que o “piscar” e escurecer de forma irregular da estrala era causado por nuvens de poeira e detritos quentes que passavam na frente dela.
Os astrônomos concluíram que essa enorme quantidade de poeira e o calor detectado através de sinais infravermelhos só poderiam ter sido gerados por um evento violento: a colisão de dois planetas, uma rara catástrofe cósmica.
“A emissão de luz da estrela era constante e estável, mas a partir de 2016 apresentou três quedas bruscas de brilho. E então, por volta de 2021, ficou completamente descontrolada. Não posso enfatizar o suficiente que estrelas como o nosso Sol não fazem isso. Então, quando vimos essa, pensamos: ‘Olá, o que está acontecendo aqui?'”, disse Tzanidakis em comunicado.
Segundo os pesquisadores, é extremamente difícil captar o momento exato ou os efeitos imediatos de uma colisão dessas porque elas acontecem em um “piscar de olhos”.
Há indícios de que essa colisão seja semelhante à que originou a Lua há cerca de 4,5 bilhões de anos. A teoria mais aceita é que o satélite natural foi formado a partir de uma colisão similar entre a Terra primitiva e um objeto do tamanho de Marte (chamado Theia).
Os pesquisadores apontam que encontrar mais eventos astronômicos como esse poderia melhorar a compreensão dos cientistas sobre como os sistemas planetários evoluem, além de ajudar a restringir a busca por mundos habitáveis além do nosso Sistema Solar.
“É incrível que vários telescópios tenham captado esse impacto em tempo real. Existem apenas alguns outros acidentes planetários de qualquer tipo registrados, e nenhum que apresente tantas semelhanças com o impacto que criou a Terra e a Lua. Se pudermos observar mais momentos como este em outros lugares da galáxia, isso nos ensinará muito sobre a formação do nosso mundo”, disse Tzanidakis.
