Perfeição exagerada ajuda a reconhecer rostos feitos por IA
Anteriormente, os rostos gerados por inteligência artificial (IA) tinham imperfeições mais aparentes, o que facilitava o reconhecimento

Com o avanço da tecnologia, tem ficado cada vez mais difícil distinguir se os rostos na internet são gerados por inteligência artificial (IA) ou são reais. Anteriormente, havia sinais mais aparentes, como brilhos estranhos na face ou até uma orelha a mais, o que facilitava a diferenciação. Porém, segundo um novo estudo, ainda há uma forma de os humanos “vencerem” as máquinas.
Cientistas internacionais afirmam que o segredo está na perfeição exagerada nos rostos produzidos pela IA. A resposta vem de uma pesquisa liderada pela Universidade Nacional da Austrália, em parceria com outras instituições locais. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) nessa segunda-feira (29/6).
O treino para “vencer” a IA
Para gerar o rosto de uma pessoa, a IA utiliza conjuntos de dados provenientes de milhões de imagens. Em seguida, ela não copia a face especificamente, mas sim cria uma baseada nos padrões matemáticos existentes nos rostos da coleção de informações, criando uma “cara” de humano típica.
Para aprender a reconhecer os rostos “fakes”, 45 participantes foram orientados a ficarem atentos a sinais específicos. Entre eles, estavam:
- Rosto mais simétrico, proporcional e atraente;
- Rosto menos expressivo, com traços mais comuns e menos memoráveis.
Quando seguiram os marcadores ao invés de procurar deformações, o grupo quase dobrou a capacidade de identificar as faces geradas por IA. “Mesmo sessões de treinamento relativamente curtas ajudaram os participantes a melhorar sua precisão”, afirma uma das autoras do estudo, Tanya George, em comunicado.
Segundo os pesquisadores, as assimetrias, traços incomuns e expressões únicas ainda são incapazes de serem copiadas pela IA. Em outras palavras, é como se nossas imperfeições fossem nosso “escudo” contra as cópias feitas pelas máquinas.
“Pesquisas como esta podem ajudar as pessoas a navegar em ambientes online cada vez mais complexos”, conclui Tanya.


