A IA pode ser uma aliada estratégica na personalização do ensino

Há espaço para o equilíbrio entre inovação e intencionalidade pedagógica, defenderam especialistas durante painel do Talk Educação do Amanhã

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1 de 1 _KBC8578 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

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A tecnologia já atravessa todas as esferas da vida cotidiana e, na educação, o uso deixou de ser opcional. Ainda que parte da sociedade a veja como ameaça, especialistas defendem que ela pode ser uma aliada estratégica para ampliar oportunidades, diversificar metodologias e apoiar professores e estudantes na construção da aprendizagem.

Inclusive, para Iolanda França, especialista em inovação educacional e integrante de projetos que aproximam tecnologia da Educação Básica, a inteligência artificial (IA) amplia a visão do professor, pois automatiza tarefas burocráticas, desafogando as demandas, e permite foco maior na mediação pedagógica.

França destacou ainda que ferramentas de inteligência artificial já permitem identificar potenciais, dificuldades e ritmos próprios de cada estudante. Por isso, o uso da IA pode ser uma ajuda no processo de adaptação das metodologias às necessidades individuais, o que incide no combate à desigualdade de aprendizagem.

“Uma forma da gente combater a desigualdade é justamente a personalização do ensino. É quando a gente consegue olhar para o estudante e perceber o que ele precisa, quais os potenciais que ele tem e como posso ajudá-lo a atingir o que necessita”, afirmou.

As observações foram feitas durante o Talk Educação do Amanhã, promovido nessa segunda-feira, 17 de novembro, no Sesi Lab, em Brasília. Iniciativa do Metrópoles, com oferecimento da One School e do Serviço Social do Comércio no Distrito Federal (Sesc-DF), além do apoio do Sigma e do Galois, o evento reuniu os especialistas Iolanda França, Fernando Trevisani e Ana Dal Fabbro no primeiro painel, sob a mediação da jornalista Cibele Moreira, para um debate acerca do uso consciente, inclusivo e pedagógico dessas tecnologias.

França destacou, porém, que a personalização só será efetiva se vier acompanhada de formação docente robusta, que prepare os professores para usar tecnologia de forma crítica e ética.

Especialista em tecnologias educacionais, França frisou que a IA não substitui o professor

Ensino híbrido e autoria docente

A formação de professores capacitados foi o pilar essencial defendido durante o painel e o eixo central das ponderações de Fernando Trevisani, doutor em Metodologias Ativas e Inteligência Artificial.

Organizador do livro “Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação”, Trevisani explicou como a IA pode apoiar o professor na construção de planos de aula alinhados ao ensino híbrido, combinando o melhor do presencial e do digital para criar experiências mais dinâmicas e flexíveis.

Ele ressaltou que as informações geradas pela IA podem ser melhores se os professores souberem como utilizá-la, se forem capacitados para isso, pois o uso não é intuitivo tanto quanto parece.

Por isso, reforçou a necessidade de o professor explicitar o que deseja para evitar respostas genéricas. Um exemplo disso é quando os docentes fornecem informações detalhadas da turma, como o perfil dos alunos, o modelo que deseja que a IA considere em aula, os desafios identificados e o contexto pedagógico.

“Às vezes o professor pede: ‘quero criar um plano de aula sobre frações para o sétimo ano’, e a IA traz algo comum. Mas, esquecemos que temos anos de experiência que podem e devem ser mencionados”, explicou.

Trevisani: “O professor não pode terceirizar sua autoria para a IA. Ele precisa ser coautor junto com a IA”

Escolas conectadas e cidadania digital

Agregando a experiência em políticas públicas ao painel, a coordenadora-geral de Tecnologia e Inovação na Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Ana Dal Fabbro, apresentou os princípios que orientam a Estratégia Nacional Escolas Conectadas (Enec), lançada em 2023.

A política busca garantir que estudantes e professores tenham acesso pleno à cidadania digital, tanto ao possibilitar o uso pedagógico de ferramentas tecnológicas quanto ao desenvolver a compreensão crítica sobre como elas funcionam e impactam a vida cotidiana.

A estratégia, além de expandir o acesso à internet de qualidade nas escolas, mira a formação de cidadãos capazes de entender conceitos como algoritmos, pensamento computacional e cultura digital, para que esses alunos possam navegar de forma segura e consciente no ambiente on-line.

Para exemplificar iniciativas que já mostram resultados, Ana mencionou experiências de diferentes regiões do país. O Piauí, por exemplo, implementou uma disciplina de inteligência artificial no Ensino Médio, com abordagem crítica e contextualizada.

No Pará, centros de inovação integram tecnologia e sustentabilidade enquanto a Bahia tem avançado na educação midiática dentro das escolas. 

Para Ana, é fundamental que as redes de ensino definam claramente quando e para que finalidade esses recursos entram em cena, sempre orientados por objetivos pedagógicos

Os especialistas reforçaram que, mesmo com o avanço acelerado das tecnologias, há espaço para o equilíbrio entre inovação e intencionalidade pedagógica, sobretudo quando alinhadas à responsabilidade na formação dos alunos.

Assista o talk completo:

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