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Ciência

Peptídeo isolado da pele de rã pode aumentar a resistência de morango

Estudo mostra que molécula Ctx(Ile21)-Ha, da pele da rã do Cerrado, é capaz de aumentar a durabilidade de morangos da variedade Oso Grande

15/07/2026 19:41, atualizado 15/07/2026 19:45
Marta Nogueira/Pexels
Foto colorida de morangos em bandeja - Metrópoles

Peptídeos encontrados na pele da rã do Cerrado são capazes de aumentar a durabilidade de morangos da variedade Oso Grande. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicado na revista Applied Food Research em junho deste ano, são necessários apenas cinco minutos de exposição à moléluca para que a fruta obtenha o benefício.

Com potencial de retardar a degradação e prolongar a vida de prateleira desses morangos sob refrigeração, o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha é uma molécula isolada da pele do anfíbio Boana albopunctata.

Segundo os pesquisadores, o tratamento pós-colheita feito com o peptídeo foi capaz de manter a textura e a característica da fruta madura. Em relação ao sabor, não foi observada nenhuma mudança significativa, já que a molécula não alterou a composição química dos morangos.

Somente o peptídeo, sem nenhum outro tipo de componente, manteve as características da fruta madura após cinco dias, o que, para um morango, é um tempo longo de armazenamento. Não esperávamos tanto”, disse Eduardo Festozo Vicente, coordenador do Laboratório de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Engenharia e Ciências (Lemu-FCE) da Unesp-Tupã, à Agência Fapesp.

Para realizar os testes, os pesquisadores separaram os morangos em dois grupos de 300 gramas: um foi banhado em água com os peptídeos por cinco minutos, enquanto o outro foi banhado somente em água.

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Após secarem, eles foram embalados em bandejas de PET cobertas com papel-filme e guardados em temperatura de 5 °C por seis dias. Durante cinco dias, os pesquisadores avaliaram os parâmetros físico-químicos e bioquímicos das frutas, explica a colaboradora do estudo, professora Angela Vacaro de Souza, também da FCE-Unesp. Como resultado, eles identificaram o aumento da durabilidade dos morangos.

De acordo com o estudo, o peptídeo da pele da rã foi isolado inicialmente por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) em 2006, os quais descobriram que a molécula faz parte de um sistema de defesa do anfíbio, que possui forte ação antimicrobiana.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam que é preciso realizar testes microbiológicos para checar a ação antimicrobiana sob os morangos, já que o estudo atual focou somente nos parâmetros físico-químicos e bioquímicos.

Outro passo a ser dado no futuro é a regulamentação do Ctx(Ile21)-Ha no Brasil, já que a molécula ainda não possui registro. Para isso, a ideia é produzir a molécula em larga escala usando leveduras, dizem os autores do estudo.