Pedras de 1,5 mil anos denunciam caso de corrupção no Império Romano
Primeiramente, pesquisadores acreditavam que inscrição era um poema fúnebre. Após análise, descobriram relato de corrupção no Império Romano

Em 2024, arqueólogos encontraram fragmentos de uma frase escrita em pedra na Turquia — a mensagem datava do ano 480. Porém, o que inicialmente mostrava um possível poema fúnebre se mostrou uma decisão judicial que condenava três pessoas por corrupção. O achado foi divulgado na última semana por pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia.
Para desvendar a mensagem, os cientistas analisaram imagens das inscrições e colocaram o que era possível desvendar em um banco de dados digital. O programa compara as fotografias com outros documentos conhecidos pela ciência para encontrar semelhanças.
“A maior parte deste texto já era conhecida graças a várias cópias que foram preservadas tanto em Stratonicea, de onde provêm os nossos novos fragmentos, como em outras duas cidades: Mylas e Keramos”, explica o professor Paweł Nowakowski, responsável pelo estudo.
Os pesquisadores compararam os fragmentos novamente com os de outras cidades próximas, e descobriram que eles faziam parte de uma decisão judicial emitida em 480. O texto documenta abusos fiscais e corrupção nas propriedades de Placídia, filha do imperador romano Valentiniano III.
“Os funcionários designados para a cobrança de impostos naquela região adotavam práticas muito questionáveis, emitiam certificados de pagamento de impostos (em dinheiro e em espécie) sem especificar o valor ou a unidade de medida do imposto pago”, conta Nowakowski.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs acusados declaravam uma quantia diferente do que cobravam da população, e embolsavam a diferença. A pesquisa foi mais à fundo, e descobriu que as autoridades romanas já desconfiavam da prática 15 anos antes da decisão judicial.
Os fraudadores ameaçados com pena de morte e o supervisor foi informado que perderia suas posses se não resolvesse a situação de corrupção em três meses.
Como não foram encontradas novas mensagens, os cientistas acreditam que o problema foi resolvido sem óbitos — não era comum matar funcionários por problemas tributários no Império Romano.



