Ondas formadas na Antártida viajam 14 mil km até o Alasca, diz estudo
Através de bóias oceânicas, pesquisadores internacionais conseguiram medir com precisão inédita o tamanho da viagem percorrida pelas ondas
atualizado
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Quando vemos ondas no mar, logo pensamos que elas foram criadas por ali mesmo. No entanto, ao medir o caminho que algumas fazem desde o seu nascimento no Oceano Antártico, uma pesquisa descobriu que elas podem viajar 14 mil km e desembarcar no Alasca, por exemplo. Apesar de os cientistas já saberem da “exportação”, é a primeira vez que a trajetória é medida com tamanha precisão.
Para a tarefa, os pesquisadores utilizaram dados contidos em bóias oceânicas à deriva. O objetivo era obter detalhes de como as tempestades ocorridas na Antártida produziam ondas para os mares do mundo.
O trabalho liderado pela Universidade de Melbourne, na Austrália, teve os resultados publicados no Journal of Geographic Research: Oceans em 31 de maio.
Bóias no meio do oceano conseguem descobrir “viagem” das ondas
Por meio de 300 bóias oceânicas produzidas pela Sofar, uma empresa privada de previsão do tempo, foi possível conseguir as informações. Os dispositivos tinham tamanho um pouco maior que uma bola de basquete e navegavam livremente pelo oceano por meio das correntes e ondas oceânicas. Ao mesmo tempo, eles transmitiam sua localização exata a cada hora.
Foram investigados dados coletados em 2023 no Equador. A região foi escolhida pois tem pouco vento para criação de ondas e os exemplares de lá são produzidos principalmente por ondulações provenientes de outras partes do oceano.
“As ondas no Equador são muito longas, chegando a ter até 300 metros de distância umas das outras. Graças a essas boias, conseguimos identificar a origem e o destino das ondas que passam por essa região. Em todos os casos, elas foram geradas por uma tempestade. Rastreamos ondas desde a Antártida até ao Alasca, a 14 mil km de distância”, revela o autor principal do estudo, Ian Young, em comunicado.
Segundo Young, as ondas mais longas e rápidas levam 12 dias para viajar pela distância detectada, enquanto as curtas percorreram de 15 a 17 dias. Ainda no estudo, descobriu-se que alguns exemplares chegam a perder 10 cm de seu tamanho total até chegar no destino final.
A expectativa é que a precisão na medida das ondas ajude a melhorar as rotas de navegação e as previsões de inundações costeiras, especialmente devido às mudanças de tempestades no Oceano Antártico provocadas pelas alterações climáticas.