Mudanças climáticas estão fazendo borboletas migrarem para novas áreas
Pesquisa com dados de 1.758 espécies mostra que o aquecimento global já está alterando onde borboletas conseguem sobreviver

As mudanças climáticas já estão alterando o mapa de distribuição das borboletas no planeta. Um estudo publicado nesta quarta-feira (5/8) na revista Nature Ecology & Evolution mostra que uma em cada 10 espécies conhecidas mudou sua área de ocorrência, principalmente em resposta ao aumento das temperaturas e a eventos climáticos extremos.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Monash, na Austrália, reuniu o maior conjunto de dados já compilado sobre o tema. Os pesquisadores analisaram 6.182 registros envolvendo 1.758 espécies de borboletas em 105 países e concluíram que as mudanças climáticas estiveram relacionadas a quase 80% dos deslocamentos documentados.
Mudanças ocorrem em todos os continentes
Segundo os autores, espécies de borboletas estão mudando de área em todos os continentes onde esses insetos existem.
Em cerca de 80% dos casos registrados, as espécies expandiram sua distribuição para novas regiões, acompanhando locais que passaram a apresentar condições climáticas mais favoráveis. Já 27% tiveram redução da área onde conseguem sobreviver.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO estudo também identificou que 22% das espécies passaram a ocupar áreas em altitudes diferentes, embora esse tipo de mudança ainda seja pouco documentado em regiões tropicais.
“Descobrimos que espécies de borboletas estão mudando seus habitats em todos os continentes onde ocorrem. A escala é surpreendente e está acontecendo muito além das regiões bem estudadas da Europa e da América do Norte”, afirmou o pesquisador Shawan Chowdhury, principal autor do estudo, em comunicado.
Regiões tropicais ainda são pouco estudadas
Apesar do grande número de registros, os pesquisadores destacam que ainda existem lacunas importantes no monitoramento da biodiversidade. Áreas como a Amazônia, a África Central, o Sudeste Asiático e a Nova Guiné permanecem entre as regiões com menos informações disponíveis, embora estejam entre as mais ricas em biodiversidade.
Segundo os autores, a inclusão de estudos publicados em diferentes idiomas e de avaliações feitas por especialistas permitiu revelar mudanças que passariam despercebidas se apenas pesquisas em inglês fossem consideradas.
“As borboletas tropicais já vivem perto de seus limites térmicos. Mesmo pequenos aumentos de temperatura podem levá-las além desse limite”, explicou Chowdhury.
O que a descoberta significa
As borboletas são consideradas importantes indicadores da saúde dos ecossistemas porque respondem rapidamente às alterações ambientais. Segundo os pesquisadores, o deslocamento dessas espécies mostra que os efeitos das mudanças climáticas já estão ocorrendo e não representam apenas um cenário futuro.
A equipe defende a ampliação do monitoramento da biodiversidade, principalmente nas regiões tropicais, para acompanhar como outras espécies estão respondendo ao aquecimento global e orientar estratégias de conservação.



