Borboletas que consomem pólen têm aumento na expectativa de vida
Além do consumo de pólen, pesquisadores afirmam que fatores hereditários também podem tornar a sobrevivência das borboletas maior

Para as borboletas que buscam viver mais, o segredo da longevidade é adicionar uma opção específica na dieta. Segundo um novo estudo liderado por pesquisadores internacionais, as espécies mais longevas dos insetos consumiam pólen, os gametas masculino das plantas. A descoberta foi publicada na revista Nature Communications nesta terça-feira (16/6).
Os resultados foram obtidos após os cientistas utilizarem dados de estudos de campo realizados em borboletários públicos, além de programas de marcação, soltura e recaptura, e compilarem a expectativa máxima de vida de 10 exemplares da tribo Heliconiini, um grupo que compreende várias espécies de borboletas.
Na análise, foram encontradas diversas variações, com espécies sobrevivendo de 14 dias – como a Dione juno- a 348 dias, como a Heliconius hewitsoni. Ao investigar o motivo das alternâncias, os cientistas chegaram a uma conclusão: todos os exemplares mais longevos se alimentavam de pólen, o que dava em média uma expectativa de vida máxima de cerca de 177 dias – os que não consumiam tinham uma média de aproximadamente 58 dias.
Pólen não age sozinho
As espécies do gênero Heliconius são consumidoras de pólen e, consequentemente, têm uma expectativa de vida maior. No entanto, um outro experimento feito no estudo sugere que fatores hereditários também fazem a diferença na sobrevivência. Mesmo recebendo baixa quantidade do alimento, uma borboleta Heliconius hecale sobreviveu mais tempo que a outra espécie que recebeu a mesma dieta.
A principal hipótese dos pesquisadores é que os Heliconius tenham mais capacidade corporal para usufruir das vantagens nutricionais do pólen, capazes de aumentar as defesas imunológicas e a capacidade de armazenamento energético.
“Esses resultados estabelecem Heliconius como um modelo poderoso para investigar a base evolutiva e mecanística do aumento da longevidade”, escrevem os pesquisadores no artigo.
O próximo passo é continuar investigando quais outros fatores individuais e coletivos influenciam no aumento ou não da longevidade das borboletas.


