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Criar joaninhas e borboletas? Expert revela benefícios da prática
Especialista explica como atrair joaninhas e borboletas para criar um jardim mais equilibrado, sustentável e biodiverso
atualizado
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Que tal transformar o seu jardim em um ecossistema autossustentável e livre de agrotóxicos? Em vez de recorrer a produtos químicos, a solução para proteger suas plantas pode estar na criação de pequenos aliados: as joaninhas e as borboletas.
Enquanto as borboletas garantem a polinização, as joaninhas atuam como um exército silencioso no controle de pragas.
Inúmeros benefícios
Atilio Sersun, docente de ciências biológicas, destaca que ao pensar em um jardim como ambiente criativo e de educação ambiental, isso é algo muito positivo.
“Existe um benefício educacional importante para crianças e famílias, que conseguem acompanhar esses animais, entender a relação entre os insetos e compreender seus ciclos de vida.”
Além disso, ele comenta que o cuidado com as áreas verdes proporciona momentos de conexão com a natureza e ajuda as pessoas a se desligarem das preocupações da rotina. “Observar uma lagarta virar pupa e depois se transformar em borboleta, por exemplo, é extremamente rico”, afirma.

Há perigos?
Embora a presença dos insetos seja benéfica, o especialista alerta que a introdução não deve ser proposital, já que isso pode representar riscos ecológicos.
“Um exemplo é a introdução de uma joaninha asiática em um jardim doméstico. Estamos falando de uma espécie exótica, que está sendo introduzida, reproduzida e mantida em um ambiente onde não deveria estar”, adverte.
Também existe a possibilidade de transmissão de doenças.
“Às vezes, um animal é retirado de um local que possui determinado patógeno e levado para outro ambiente onde esse agente não existia. Muitas vezes, esses deslocamentos parecem inocentes, mas podem ser prejudiciais”, acrescenta o docente da Universidade Cruzeiro do Sul.
Insetos precisam de liberdade
Para quem desejar manter esses insetos no jardim, Atilio oferece algumas orientações práticas.

Confira:
- Pesquise plantas nativas que os atraem, quando elas florescem e suas relações com os bichinhos;
- Crie um ambiente natural com folhas caídas, galhos e pequenos abrigos;
- Conforme o desenvolvimento do ambiente, faça adaptações e inclua recursos que auxiliem na manutenção dos insetos.
Apesar de algumas pessoas manterem esses insetos em viveiros fechados, o professor ressalta que os melhores ambientes são aqueles que não possuem paredes. Segundo ele, não há nada mais interessante do que um jardim biodiverso, com diferentes plantas e flores, em que os insetos possam viver naturalmente.
Para que isso aconteça, é preciso entender que joaninhas e borboletas dependem de relações ecológicas específicas. “É necessário compreender os aspectos biológicos básicos”, destaca.
Na prática, isso significa que eles precisam de disponibilidade de alimento — pulgões no caso das joaninhas, e oferta de néctar para as borboletas — além da ausência total de inseticidas.