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Resíduo de mineração vira tecnologia para limpar rios na Amazônia

Pesquisa da UFPA transforma rejeitos de manganês e vermiculita em materiais capazes de remover metais pesados com até 100% de eficácia

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Foto colorida de um barco sobre rio na Amazônia - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de um barco sobre rio na Amazônia - Metrópoles. - Foto: fabiomeirelles / Getty Images

A poluição causada pela mineração é uma das maiores ameaças aos rios da Amazônia, especialmente no estado do Pará. Toneladas de rejeitos industriais produzidos por grandes mineradoras são frequentemente descartadas em barragens ou áreas próximas a cursos d’água, o que aumenta o risco de contaminação por metais pesados e substâncias tóxicas.

Esses poluentes afetam diretamente a saúde dos rios, dos peixes e das comunidades ribeirinhas que dependem da água para sobreviver. Em meio a esse cenário, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveram uma solução inovadora para transformar o problema em parte da solução.

Utilizando técnicas da chamada “ciência verde”, a equipe criou materiais a partir de rejeitos da mineração — como os resíduos de vermiculita e manganês — que demonstram alto potencial para remover poluentes da água. Os resultados foram publicados na revista REM – International Engineering Journal em agosto.

Dois materiais foram desenvolvidos: a vermiculita ativada com sódio, obtida a partir do reaproveitamento da vermiculita descartada, e a fase tipo Shigaite LDH, criada a partir dos resíduos da mineração de manganês. Ambos foram submetidos a testes que simularam condições reais de contaminação dos rios amazônicos.

A vermiculita ativada foi testada na remoção de corantes industriais — como o azul de metileno, comum em despejos de indústrias — e atingiu 99% de eficácia. Já a fase tipo Shigaite LDH foi avaliada na remoção de metais pesados como cromo e manganês, alcançando impressionantes 100% de eficácia. É a primeira vez que o material é utilizado com essa finalidade.

Foto colorida de população ribeirinha às margens de rio na amazõnia.
Os poluentes removidos pelos materiais estão associados a impactos graves à fauna aquática e à saúde das comunidades que consomem água e peixes contaminados.

De acordo com o estudo, os impactos causados pelos poluentes são significativos: os corantes industriais alteram a coloração dos rios, prejudicam a entrada de luz e reduzem o oxigênio necessário para a vida aquática; já os metais pesados são persistentes, acumulam-se na cadeia alimentar e ameaçam especialmente populações humanas que consomem água ou peixes contaminados.

O diferencial dessa tecnologia está na combinação de eficácia e viabilidade econômica. Os materiais desenvolvidos são baratos, abundantes e específicos para os poluentes mais comuns na região amazônica — ao contrário de soluções tradicionais, que costumam ser caras, importadas ou ineficazes diante de certos contaminantes.

O estudo mostra que, com ciência, é possível transformar resíduos perigosos em ferramentas para preservar a vida nos rios — um passo importante rumo à recuperação ambiental da região mais biodiversa do planeta.

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