Manobra incomum e atividade solar farão foguete da SpaceX bater na Lua
Normalmente, a SpaceX realiza manobras para retirar os corpos remanescentes de foguetes da órbita terrestre, o que não ocorreu dessa vez

Nesta quarta-feira (5/8), está prevista uma colisão acidental entre o estágio superior do foguete Falcon 9, pertencente à SpaceX, e a Lua. A batida deverá ocorrer às 3h35 da manhã (horário de Brasília) e abrir uma cratera de 27 metros de largura no satélite, além de criar uma nuvem de detritos.
O estágio superior solto chegou ao espaço em 15 de janeiro de 2025, quando o Falcon 9 foi lançado para transportar o módulo de pouso Blue Ghost-1 à Lua. Já era esperado que o resto do veículo ficaria no espaço e se tornaria lixo espacial, mas a colisão poderia ter sido evitada.
Normalmente, a SpaceX realiza manobras para retirar os corpos remanescentes de foguetes da órbita terrestre, levando-os para locais de destruição controlada na atmosfera da Terra.
Porém, nesse caso, o combustível do foguete foi quase todo utilizado para cumprir sua missão, fazendo com que a empresa usasse uma estratégia diferente. Segundo um novo estudo liderado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, a manobra distinta fez o veículo ir para uma órbita terrestre que cruzava com a Lua. A afirmação foi publicada em versão pré-print no arXiv em 17 de julho.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAinda de acordo com a diretora de ciência da Nasa e dos programas Dragon da SpaceX, Julianna Scheiman, o impacto acontecerá devido a uma sucessão de fatores, incluindo a realização da manobra pouco eficiente que não fixou o foguete em uma posição estável. Assim, ele tornou-se vulnerável a forças naturais.
“O que aconteceu foi, essencialmente, uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais que o colocaram em uma trajetória em direção à Lua”, disse Julianna, em coletiva realizada na segunda-feira (3/8).
O evento previsto para quarta-feira será o segundo impacto documentado de um foguete inoperante com a Lua. O outro ocorreu em 2022, quando um veículo chinês abriu duas crateras no lado oculto lunar.
O clarão provocado pela colisão será muito rápido, o que dificulta a observação a partir da Terra. No entanto, pesquisas já determinaram que o impacto gerará uma grande “nuvem” de poeira, rochas e outros detritos, e a força do choque expelirá o material para cima de forma contínua. Dessa forma, aumenta a chance de o fluxo do material ejetado ficar visível a telescópios na Terra por alguns minutos.
A observação da colisão será uma boa oportunidade de compreender os riscos de impactos contra a Lua, especialmente para a Nasa, que pretende construir uma base lunar daqui a alguns anos. Julianna afirma que a SpaceX já está buscando formas de diminuir as chances de batidas de foguetes esquecidos no espaço contra o satélite natural.



