Estudo genético diz que Fox Paulistinha e Fila não são raças “puras”

Novo estudo sugere que o Fox Paulistinha e Fila Brasileiro passaram por cruzamentos mais complexos do que os conhecidos atualmente

atualizado

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Consideradas duas das principais raças caninas brasileiras, o Fox Paulistinha e o Fila Brasileiro podem não ter uma trajetória genética totalmente pura. A afirmação é de um novo estudo brasileiro que investigou o genoma mitocondrial de ambos os tipos de cães – a análise é capaz de revelar a linhagem ancestral materna ininterrupta.

De acordo com os pesquisadores, a evolução da raça provavelmente envolveu cruzamentos mais complexos do que os conhecidos atualmente. No entanto, o achado não é visto como um problema, mas sim como uma realidade biológica. 

Os cientistas defendem que a ideia de priorizar a “pureza” da raça pode levar a um isolamento reprodutivo e, consequentemente, um acúmulo de genes de pouca qualidade e uma maior propensão ao desenvolvimento de doenças ligadas ao parentesco.

“Enquanto o mercado de criadores busca a homogeneidade, a biologia demonstra que a resiliência e a saúde são maiores em indivíduos com genomas diversos. Compreender melhor a estrutura genética de uma raça ajuda a evitar interpretações equivocadas sobre sua ancestralidade e pode orientar decisões mais informadas sobre manejo reprodutivo, especialmente em populações pequenas”, aponta o coordenador do estudo, Francisco Prosdocimi, em comunicado.

O trabalho é uma realização de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os resultados foram publicados nessa sexta-feira (17/4) na revista Genetics and Molecular Biology.

Trajetória genética do Fox Paulistinha e do Fila Brasileiro

A investigação ocorreu através da seleção de um indivíduo de cada raça, dos quais foram coletadas amostras de sangue. Em seguida, o material foi sequenciado e a partir daí foi realizado o DNA mitocondrial dos cachorros.

Os resultados das sequências genômicas foram comparados a de outras raças presentes em bancos de dados genéticos. O objetivo era encontrar semelhanças evolutivas e ajudar na reconstrução das relações de ancestralidade.

Historicamente, o Fox Paulistinha faz parte do grupo dos terriers, sendo chamado até de Terrier Brasileiro, enquanto o Fila Brasileiro, também chamado de Mastim Brasileiro, está agrupado com os mastins clássicos. No entanto, descobriu-se que as raças não se conectam geneticamente às outras apontadas tradicionalmente como suas ancestrais. 

“Na prática, significa que a identidade histórica da raça pode envolver múltiplas origens maternas, possíveis cruzamentos que não foram registrados e que a noção de pertencimento a um ‘grupo’ pode refletir mais critérios morfológicos do que uma ancestralidade genética direta”, explica Prosdocim.

Para os pesquisadores, a descoberta genética promove um conhecimento mais amplo sobre as raças caninas brasileiras, além de registros históricos e atributos físicos. A ideia é que mais estudos sobre DNA sejam realizados futuramente. Aumentar a amostragem de cães e compará-los com raças da América Latina também está nos planos.

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