Fórmula brasileira de hidrogel pode combater superbactérias. Entenda

Nova fórmula de hidrogel desenvolvida no Brasil combate superbactérias e pode tornar o ambiente hospitalar mais seguro

atualizado

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Ilustração mostra a superbactéria Escherichia coli - Metrópoles
1 de 1 Ilustração mostra a superbactéria Escherichia coli - Metrópoles - Foto: Getty Images

*O artigo foi escrito pela pós-doutora e professora Gabrielle Peiter (UFPR) e pela jornalista e divulgadora científica Silvia Calciolari (NAPI Paraná Faz Ciência), e publicado na plataforma The Conversation Brasil

Nos últimos anos, o uso extensivo de antibióticos para controlar doenças resultou nas superbactérias: microrganismos resistentes a medicamentos que tornam infecções comuns mais difíceis de tratar e assombram profissionais da área da saúde ou pacientes que precisam passar por intervenções cirúrgicas.

A ciência segue em busca de uma resposta ao problema das superbactérias. E nossa equipe da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), do campus Toledo, tem trabalhando nesse enfrentamento, com o desenvolvimento de um hidrogel com alto poder antimicrobiano.

Como o produto ainda não passou por uma regulamentação, não é possível aplicá-lo em pessoas, mas a pesquisa em laboratório mostrou grande potencial para ser usado como substituto do álcool em gel e como agente de limpeza para esterilização de ambientes hospitalares. Os próximos passos incluem escalonar o material. Estamos em busca de empresas parceiras para dar seguimento às pesquisas.

Uma das vantagens do nosso gel está no fato de se apresentar como um agente germicida mais eficaz quando aplicado na pele, como mostraram os nossos experimentos. Outros álcoois em gel, apesar de terem agentes antimicrobianos, não apresentam atividade residual persistente e podem permitir o crescimento lento de bactérias após seu uso.

O desenvolvimento do hidrogel

Em 2022, durante o meu pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Processos Químicos e Biotecnológicos (PPGQB-Toledo), coordenado pelo pesquisador Ricardo Schneider, iniciamos o desenvolvimento de um hidrogel composto de vidro de borofosfato (uma espécie de ‘vidro bioativo’) e carbopol (um agente gelificante utilizado na formulação do álcool em gel e que usamos como desinfetantes para as mãos).

O borofosfato é chamado de ‘vidro’ porque, estruturalmente, é um material vítreo, ou seja, amorfo, não cristalino. Mas ele é diferente do vidro de janela, que é feito principalmente de areia de sílica.

A composição química do vidro de borofosfato parte do fosfato de potássio. Ele é solúvel (ou seja, pode ser diluído na água) e composto por tipos de reagentes específicos. Usamos esse material para fazer uma síntese que chamamos de fusão e resfriamento e, assim, formar esse material ‘vítreo’.

O termo ‘vidro bioativo’ não está ligado à sua composição química, mas ao comportamento do material quando entra em contato com um sistema biológico. Isto porque ele interage ativamente com o meio fisiológico.

Criamos um hidrogel feito de carbopol e incorporamos nele o vidro de borofosfato já em forma aquosa (depois de diluído). O vidro é nosso princípio ativo, responsável por matar as bactérias.

Além do alto poder antimicrobiano e da ausência de metais como a prata, outra grande vantagem do produto desenvolvido e patenteado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Toledo (Unioeste) é que o hidrogel não é inflamável como o álcool em gel, que tem etanol em sua composição.

Em relação ao uso de agentes antibacterianos residuais, como a prata ou o triclosan, várias alternativas têm sido estudadas por cientistas a partir da nanotecnologia, para evitar o surgimento de bactérias mais resistentes a longo prazo.

Se você estiver analisando rótulos para consumo, verifique a lista de ingredientes (Composition/INCI). Se não houver termos como “Silver”, “Colloidal Silver” ou “Silver Citrate”, o produto não contém o metal.

Os estudos para o nosso hidrogel levaram cerca de um ano, entre 2022 e 2023, e resultaram no depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este prazo é considerado curto quando o assunto é produção científica.

Em 2023, nosso grupo assinou e publicou um artigo na International Journal of Pharmaceutics, a terceira revista científica mais citada na área, apresentando as diferenças entre o hidrogel e o álcool em gel. O trabalho foi desenvolvido por mim e pelos alunos do mestrado Iago Assis (PPGBio/UTFPR) e Jaqueline Saracini (Unioeste), orientados pelos professores Ricardo Schneider e Cleverson Busso.

Pela inovação no desenvolvimento desse gel com alto poder antimicrobiano para uso em ambientes hospitalares, fui selecionada para integrar a edição de 2025 do livro “25 Mulheres na Ciência América Latina” e a plataforma on-line do programa. A publicação trará o nosso trabalho desenvolvido no Paraná, servindo de inspiração à próxima geração de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.The Conversation

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