Filhas de faraó treinavam defesa pessoal com adagas e arcos e flechas
Princesas foram mumificadas e enterradas com diferentes tipos de armamentos, como arco e flecha e adagas ornamentadas

Ao analisar seis múmias e objetos enterrados junto com elas, pesquisadores internacionais descobriram que princesas do Egito antigo treinavam com arcos, flechas e adagas. Exames nos esqueletos mostraram evidências, incluindo de lesões, de que as realezas praticavam exercícios correspondentes aos artefatos encontrados com elas.
As múmias foram localizadas em 1890 em Dahshur, um complexo funerário egípcio, e agora foram investigadas por pesquisadores da Universidade de Beni Suef, também no país. Os resultados do estudo foram publicados na revista Frontiers in Environmental Archaeology em julho.
Princesas armadas
O trabalho de identificação revelou que, das seis pessoas, quatro eram irmãs ou filhas do faraó Amenemhat II: as princesas Ita, Khenmet, Itaweret e Sathathormeryt – a identificação da última ainda é provisória.
No túmulo de todas havia arcos e flechas, instrumentos mais ligados a homens à época. Na sepultura da princesa Ita havia uma adaga ornamentada.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApesar de ter partes do esqueleto faltando, os pesquisadores utilizaram o material ósseo restante para estimar vários atributos, incluindo quando ocorreu a morte, a altura e o sexo de cada indivíduo. Além disso, marcas nos ossos revelaram a existência de lesões.
Segundo os achados, Ita tinha entre 28 e 34 anos e possuía musculatura forte na parte superior do corpo, atributo ligado ao uso de adagas; Khenmet tinha entre 35 e 45 anos e apresentava sinais de osteoporose, mas tinha ligamentos robustos; Itaweret tinha entre 20 e 34 anos e sofreu com fraturas nas costelas e nos pés, além de possuir sinais de que era uma arqueira com habilidade.
Todas tinham evidências de que praticavam atividades físicas cansativas com as armas enterradas com elas.
“Encontramos um desenvolvimento acentuado nos membros superiores dessas mulheres, o que se correlaciona com ações repetitivas e de alta intensidade, como puxar a corda de um arco ou estabilizar uma arma, comprovando que essas atividades foram habituais ao longo de suas vidas”, explica uma das autoras do estudo, Zeinab Hashesh, em comunicado.
Apesar da riqueza de detalhes descoberta pelos cientistas, eles acreditam que, caso as partes esqueléticas faltantes sejam encontradas, novos pormenores sobre as realezas poderão ser descobertos.



