Turistas indianos picharam tumbas egípcias há 2 mil anos, diz estudo
Entre os visitantes da Índia que picharam as tumbas, se destacou um homem chamado Cikai Korran, que deixou sua marca oito vezes
atualizado
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Hoje em dia é muito comum ver paredes grafitadas pelas ruas, mas pesquisadores internacionais descobriram que a prática estava presente há dois mil anos. Ao analisar marcas em tumbas egípcias, foi constatado que elas pertenciam a visitantes da Índia, já que foram escritas em tâmil antigo, uma linguagem indiana.
Entre as escritas, o nome do turista “Cikai Korran” foi pichado oito vezes, quando ele visitou o Vale dos Reis, um ponto turístico no Egito onde eram sepultados faraós e nobres da época. No total, havia cerca de 30 marcas em três línguas indianas distintas nas tumbas analisadas da região.
Segundo os pesquisadores, as descobertas são uma forte evidência de que havia a presença de pessoas do sul asiático no Egito antigo.
Os achados foram publicados no livro “Tamil Epigraphy: A four-day international conference 11-14 February 2026, Proceedings Volume 1″ (Governo de Tamil Nadu, 2026). As descobertas foram apresentadas durante conferência realizada em fevereiro, na Índia.
Descoberta do texto dos turistas da Índia
As inscrições nas tumbas já haviam sido notadas anteriormente, porém somente agora pesquisadores conseguiram traduzi-las. A maioria estava escrita em tâmil antigo – um tipo de língua da Índia.
Outro achado que confirmou de fato que as marcas estavam escritas em indiano foi que um dos textos escritos por um homem chamado Indranandin dizia que ele era um “mensageiro do Rei Kshaharata”. Em entrevista ao portal Live Science, o pesquisador Ingo Strauch, um dos responsáveis pela tradução, afirma que essa dinastia ocorreu na Índia.
“É possível que Indranandin tenha chegado de navio a Berenike [na costa leste do Egito], talvez junto com outros indianos, e de lá tenha continuado para o interior até o Vale dos Reis”, sugere Strauch.
“Cikai Korran veio aqui e viu”
No entanto, o grande destaque das descobertas foi Cikai Korran. Com os dizeres: “Cikai Korran veio aqui e viu”. Ele pichou cinco túmulos distintos por oito vezes.
A pesquisadora Charlotte Schmid, que também ajudou na tradução dos textos, revela que ele gostava de deixar sua marca em lugares altos – uma delas estava a cerca de 5 a 6 metros de altura. Ainda não se sabe como Korran chegou tão alto.
Outro ponto que chamou a atenção foi que um dos túmulos marcados por ele tinha o acesso fechado à época e mesmo assim havia sua inscrição por lá. Também não foi identificado como Korran entrou no local.
Apesar de não saberem ao certo a identidade do homem, os pesquisadores apontam que ele pode ter sido um mercenário ou um comerciante, mas outras possibilidades também estão em aberto.
