Ritmo da evolução humana mudou após agricultura, diz novo estudo
Estudo analisou quase 16 mil genomas antigos e sugere que a seleção natural se intensificou após o avanço da agricultura
atualizado
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A história da evolução humana pode precisar de novos ajustes. Um estudo publicado em 15 de abril na revista científica Nature indica que mudanças genéticas importantes ocorreram de forma intensa nos últimos 10 mil anos, período marcado pelo avanço da agricultura e pela formação de grandes comunidades humanas.
A pesquisa reuniu dados de quase 16 mil genomas antigos de pessoas que viveram ao longo de milênios na Eurásia Ocidental, região que inclui partes da Europa e do Oriente Médio. Com isso, os cientistas conseguiram acompanhar como certas variantes genéticas aumentaram ou diminuíram de frequência ao longo do tempo.
Durante muitos anos, parte da comunidade científica acreditou que a seleção natural recente em humanos teria sido limitada. O novo trabalho contesta essa ideia ao encontrar centenas de sinais de adaptação genética em épocas relativamente recentes.
Na prática, isso significa que características favoráveis à sobrevivência ou à reprodução continuaram sendo selecionadas mesmo após o surgimento das primeiras sociedades agrícolas.
Segundo os autores, o uso de DNA antigo permitiu observar a evolução de forma mais direta, comparando populações de diferentes períodos históricos.
Agricultura x seleção natural
Os pesquisadores apontam que a transição para a agricultura transformou profundamente a vida humana e pode ter acelerado pressões evolutivas. Entre as mudanças daquele período estão:
- Aumento populacional;
- Convivência mais próxima entre pessoas e animais;
- Alterações na alimentação;
- Maior circulação de doenças infecciosas;
- Surgimento de cidades e novas formas de organização social.
Esse conjunto de fatores pode ter favorecido genes ligados à adaptação ao novo ambiente. O estudo também identificou que muitas variantes sob seleção no passado têm relação com características observadas hoje. Entre elas, estão genes ligados ao sistema imunológico, metabolismo e risco para algumas doenças.
Os cientistas destacam que alterações vantajosas em um contexto antigo nem sempre permanecem benéficas nos dias atuais, já que estilo de vida e ambiente mudaram ao longo dos séculos.
Para os autores, os resultados mostram que a evolução humana não ficou restrita ao passado distante. Mudanças importantes continuaram ocorrendo em tempos relativamente recentes da história.
Além de ajudar a entender como populações se adaptaram após a agricultura, o estudo também pode contribuir para explicar por que certos genes ainda influenciam a saúde moderna.
