Evolução: população moderna tem mais ruivos e menos calvos, diz estudo

Pesquisa analisa mudanças genéticas e identifica que a evolução humana permanece ativa, impulsionando traços como a calvície masculina

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Ilustração colorida em tons de azul, rosa e vermelho, simulhando um heredrograma - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida em tons de azul, rosa e vermelho, simulhando um heredrograma - Metrópoles. - Foto: Stanislaw Pytel / Getty Images

A evolução humana continua moldando as características físicas e biológicas da população mundial, ao contrário do que se pensava. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, identificou um aumento de pessoas ruivas e diminuição de homens com calvície.

O levantamento foi publicado nessa quarta-feira (15/4) pela revista Nature. A pesquisa analisou cerca de 16 mil genomas modernos e antigos de populações da Eurásia Ocidental, área que abrange a Europa e partes da Ásia Ocidental, ao longo de até 18 mil anos. Os cientistas encontraram sinais de seleção natural em 479 variantes genéticas, muitas delas associadas a traços visíveis como pele clara, cabelos ruivos e menor propensão à calvície de padrão masculino.

Os resultados sugerem que todas essas variantes foram úteis na evolução das populações modernas da Eurásia Ocidental, mas o DNA não explica exatamente por que essas características foram vantajosas.

O aumento na frequência da pigmentação de pele clara parte do princípio da seleção para maior produção de vitamina D em regiões com baixa incidência de luz solar. Para os pesquisadores, o aumento de pessoas ruivas é mais difícil de explicar, pois o cabelo avermelhado em si pode não ter sido vantajoso, mas percebe-se que os genes associados a essa característica podem estar ligados a uma adaptação mais importante.

Os pesquisadores também observaram que algumas características foram selecionadas positiva ou negativamente em diferentes períodos. Por vários milênios, genes associados à suscetibilidade à tuberculose aumentaram em frequência e, há cerca de 3,5 mil anos, diminuíram. Da mesma forma, genes ligados à suscetibilidade à esclerose múltipla aumentaram até cerca de 2 mil anos atrás e, posteriormente, diminuíram.

“Isso provavelmente reflete mudanças no ambiente ou nas pressões seletivas ao longo do tempo, como a introdução de novos patógenos”, disse Akbari, um dos cientistas responsáveis pelo estudo. “O que tende a variar entre regiões não é se a seleção ocorreu, mas como os ambientes locais e as mudanças culturais a moldaram, incluindo fatores como dieta, patógenos e clima”, afirmou.

Nova técnica permite identificar mudanças sutis no DNA

De acordo com Akbari, a ideia de que a evolução humana teria desacelerado surgiu porque estudos anteriores analisavam apenas o DNA de populações atuais. “Os trabalhos anteriores, baseados nas marcas que a seleção natural deixa nos genomas atuais, levaram à ideia de que a seleção direcional era rara”, disse Akbari.

Além das características físicas, o estudo aponta alterações ligadas à saúde. É notado o aumento na resistência a doenças como HIV e hanseníase, alta na prevalência do tipo sanguíneo B, e a diminuição da predisposição genética à artrite reumatoide.

Capaz de separar o sinal da seleção natural de outros processos evolutivos, a técnica permite detectar as pequenas mudanças consistentes ao longo do tempo. Os resultados reforçam que a seleção natural continua atuando de forma constante, mesmo que de forma sutil.

Os pesquisadores disponibilizaram gratuitamente os dados e métodos, chamados de Ancient Genome Selection (AGES), para que outros cientistas possam expandir o trabalho. O próximo passo é explorar outros grupos fora da Eurásia Ocidental para compreender melhor como a população humana global evoluiu.

Por que antes se acreditava que a evolução humana tinha desacelerado?

“Durante muito tempo, os cientistas achavam que a evolução humana tinha desacelerado porque só era possível analisar o DNA de pessoas atuais. Sem acesso ao material genético de populações antigas, os estudos encontravam poucos exemplos claros de seleção natural, como a tolerância à lactose na vida adulta, uma adaptação que permitiu a algumas populações digerir leite após a infância”, explica o professor de Genética e Imunologia Rinaldo Wellerson Pereira, da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Segundo ele, avanços na medicina e nas condições de vida também reforçaram essa percepção. “Parecia que a seleção natural tinha perdido força, já que menos pessoas morrem antes de ter filhos”, afirma.

O pesquisador destaca que análises mais recentes mudaram esse cenário. “Ao comparar genomas de indivíduos que viveram ao longo de até 18 mil anos, o estudo mostra centenas de episódios recentes de seleção natural, principalmente após a adoção da agricultura, quando mudanças na alimentação e no estilo de vida passaram a favorecer certos genes”, conclui.

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