Evolução humana: pé misterioso pode ser de espécie parente de Lucy

Os ossos do pé de Burtele foram encontrados em 2009 em Woranso-Mille, na Etiópia, mas a espécie só foi identificada 16 anos depois

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Yohannes Haile-Selassie/ASU
Imagem colorida mostra do fóssil pé de burtele - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra do fóssil pé de burtele - Metrópoles - Foto: Yohannes Haile-Selassie/ASU

Anteriormente de origem desconhecida, um pé de 3,4 milhões de anos foi descrito como pertencente à espécie Australopithecus deyiremeda, parente próximo à Lucy, um esqueleto de 3,2 milhões de anos de idade pertencente a uma Australopithecus afarensis. Os oitos ossos de pé, chamado de pé de Burtele, foram encontrados em 2009 no sítio arqueológico Woranso-Mille, na Etiópia.

A descoberta pode representar mais um passo importante para o quebra-cabeça ligado à evolução humana. O estudo liderado por pesquisadores norte-americanos e espanhóis foi publicado nessa quarta-feira (26/11) na revista científica Nature.

Assim que o item foi encontrado, já havia suspeitas de que o Pé de Burtele não era da espécie de Lucy. Porém, sem os dentes e mandíbula do fóssil – locais que carregam evidências de identificação de espécies –, era impossível constatar a qual grupo humano primitivo ele pertencia.

No entanto, a equipe de pesquisa não desistiu tão facilmente: continuou as buscas no local por mais de 10 anos e achou as partes do corpo necessárias na região para afirmar que o pé misterioso era de um Australopithecus deyiremeda.

Parentes, mas com características distintas

De acordo com o novo estudo, mesmo sendo parentes próximos, ambas as espécies tinham características um pouco distintas. A primeira refere-se à formação dos dedos do pé e o caminhar. Atualmente, nós temos o dedão perto dos outros dedos, um atributo considerado importante para andar ereto e sem maiores dificuldades; assim era o pé e a “passada” de Lucy.

Já o pé de Burtele tinha um dedo principal mais separado dos outros, como se fosse o dedão das mãos atuais, só que no pé. Formado mais para a lateral, a característica ajudava a espécie primitiva a agarrar galhos e subir em árvores.

Foto colorida do fóssil Lucy - Pré-história: saiba quais são os fósseis mais famosos do mundo
Imagem mostra parte do crânio de Lucy

Como era de uma espécie mais antiga que a de Lucy, o atributo foi desaparecendo com o tempo, conforme indicam os especialistas.

“O que estamos aprendendo agora é que, sim, o bipedalismo foi o componente chave da nossa história evolutiva, mas havia muitas maneiras de andar sobre duas pernas no chão”, explica o autor principal do estudo, Yohannes Haile-Selassie, paleoantropólogo da Universidade Estadual do Arizona (EUA), em entrevista ao portal Live Science.

Análises no esmalte dentário do A. deyiremeda também mostraram que a rotina alimentar do antepassado era baseada em árvores e arbustos. Já Lucy tinha uma dieta mais variada: além de arbustos e árvores, a espécie comia gramíneas tropicais, como capim e pastagens.

Questionamentos sobre a origem do pé

Apesar das revelações, a descoberta gerou alguns questionamentos da comunidade científica. Certos especialistas afirmam ser fracas as evidências do pé de Burtele ser da espécie A. deyiremeda, visto que as pistas encontradas posteriormente foram achadas próximas, e não no local exato; assim, podem ter sido levadas por algum agente externo ou colocadas lá.

Outros acreditam nas constatações da pesquisa e destacam sua importância para compreender melhor a evolução humana, tanto as características primitivas quanto de comportamento. Novos estudos realizados no futuro deverão confirmar qual lado está correto.

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