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Apuração pelo Brasil

Ciência

Estudo da Fiocruz detecta presença de cocaína em rios do Rio de Janeiro

Os níveis de contaminação de cocaína eram maiores do que os encontrados em pesquisas semelhantes na Bélgica, Espanha e nos Estados Unidos

07/10/2026 14:10, atualizado 07/10/2026 14:16
Divulgação/Fiocruz
Imagem colorida de um homem branco olhando para um rio - Metrópoles

Uma investigação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em cinco rios da capital e Região Metropolitana do Rio de Janeiro identificou a presença de cocaína na água. Os pesquisadores também acharam benzoilecgonina, principal derivado da droga, excretada pela urina após a metabolização no organismo.

Segundo os cientistas, os níveis de contaminação eram maiores do que os encontrados em pesquisas semelhantes na Bélgica, Espanha e nos Estados Unidos. Todos os rios investigados desaguam na Baía de Guanabara. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Aquatic Toxicology no final de setembro.

Além da Fiocruz, pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) participaram do estudo.

Pico de cocaína em janeiro e riscos para animais

Para as descobertas, foram feitas coletas mensais de água por um ano nos cinco rios, entre julho de 2022 e junho de 2023. De 60 amostras coletadas, apenas uma não continha cocaína e todas deram positivo para a presença de benzoilecgonina.

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Segundo os resultados, a maior contaminação ocorreu na estação chuvosa, de outubro a março. No entanto, o pico foi em janeiro, sugerindo que em períodos de férias e festas o consumo da droga aumenta.

Na maioria das amostras, a concentração do derivado era maior do que a de cocaína, evidenciando que os esgotos estavam carregando dejetos de usuários aos rios. Somente em uma ocorreu o contrário, o que sugere que o local pode ser um possível ponto de descarte de droga.

Os pesquisadores alertam que a presença de cocaína e seu derivado na água pode provocar prejuízos aos organismos aquáticos, como aumento de mortes, deformações e alterações cardíacas e neurológicas.

A recomendação é que, com as descobertas, a cocaína e a benzoilecgonina sejam levadas em consideração em programas de monitoramento e avaliação de risco ecológico em ecossistemas aquáticos localizados em regiões muito urbanizadas.