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Ciência

Derretimento das calotas polares só pode ser previsto por 50 anos

Segundo um novo estudo, a evolução do nível do mar e o derretimento das calotas polares não podem ser medidos com precisão além disso

23/07/2026 17:43
Oversnap/Getty Images
Imagem colorida mostra geleira na Antártica - Metrópoles

Entender como será a evolução do nível do mar ao longo dos anos é essencial para que governos de áreas costeiras possam se planejar. Por guardar uma quantidade imensa de gelo, a Antártida é uma peça central para avaliar o cenário. Quanto mais ela derrete, maior será o volume de água nos mares – o que tem ocorrido com o avanço do aquecimento global.

Em um novo estudo, cientistas avaliaram se é possível prever com confiança a quantidade de gelo que a Antártida poderá perder nos próximos 30 a 50 anos. De acordo com as investigações, até o meio do século os resultados serão confiáveis. No entanto os prognósticos se tornarão menos seguros a partir disso.

A afirmação vem de um estudo liderado pela pesquisadora Felicity McCormack, da Universidade Monash, na Austrália. Os resultados foram publicados na revista Nature em meados de junho.

As estimativas foram feitas por meio da realização de projeções de modelos de calotas polares gerados a partir de dados históricos e fórmulas matemáticas. Assim, foi possível identificar que nos próximos 30 a 50 anos, a perda de gelo será altamente previsível e consistente, pois os modelos climáticos são suficientes para estimar os cenários desse intervalo.

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“Se os modelos de calotas polares reproduzirem com precisão as taxas de perda de gelo que observamos, podemos ter confiança em usar esses mesmos modelos para prever com segurança a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar nos próximos 30 a 50 anos. Prever com precisão e rapidez o quanto o nível global do mar subirá oferece informações vitais para o planejamento costeiro futuro e para as políticas governamentais”, aponta Felicity em comunicado.

Por outro lado, a pesquisadora mostra que a mesma consistência e confiança não foi detectada em previsões para o final do século atual. O problema de previsibilidade tem a ver com a existência de fenômenos climáticos que podem acelerar o derretimento de forma mais rápida que os modelos de simulação podem identificar.

Felicity diz que a solução é aprimorar os modelos o mais rápido possível. “Ao aprimorarmos a forma como os modelos de calotas polares representam os processos físicos críticos que levam ao rápido recuo das calotas polares, podemos reduzir a grande incerteza que prejudica a confiabilidade das projeções de longo prazo sobre a elevação do nível do mar”, afirma a cientista.

Como as previsões do nível do mar para as próximas três décadas estão bem definidas, outras medidas sugeridas pelos cientistas para se preparar visando consequências futuras é colocar em prática ações climáticas que retardem o derretimento de gelo, além da criação de políticas públicas para proteger as populações mais vulneráveis.