Guardião do Cerrado: biólogos revelam curiosidades sobre o lobo-guará

Espécie típica do Cerrado tem pernas longas, dieta curiosa e papel essencial no equilíbrio do bioma brasileiro

atualizado

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McDonald Wildlife Photography Inc./GettyImages
Imagem mostra lobo-guará andando - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra lobo-guará andando - Metrópoles - Foto: McDonald Wildlife Photography Inc./GettyImages

Símbolo da fauna brasileira, o lobo-guará é um dos animais mais emblemáticos do Cerrado. De aparência única, com pernas longas e pelagem avermelhada, a espécie chama atenção não apenas pelo visual, mas também pelo comportamento e pela importância ecológica.

Segundo especialistas, várias características do animal são resultado direto da adaptação ao ambiente onde ele evoluiu.

Pernas longas

Uma das características mais marcantes do lobo-guará são as pernas longas, que o diferenciam de outros canídeos. A professora de biologia Melissa Oliveira, da escola Maple Bear, em Brasília, explica que essa característica está diretamente ligada ao ambiente do Cerrado.

“As pernas longas ajudam na locomoção e na visualização do ambiente em locais com vegetação alta. Elas funcionam como ‘pernas de pau’ naturais que permitem ao animal enxergar acima das gramíneas e localizar presas”, afirma.

De acordo com o biólogo Claysson Henrique de Aguiar Silva, de Brasília, essa característica provavelmente foi favorecida ao longo da evolução. Animais mais altos conseguiam se deslocar e encontrar alimento com mais facilidade no ambiente savânico.

“Os indivíduos que enxergavam melhor acima da vegetação provavelmente se alimentavam melhor e se reproduziam mais. Com o tempo, essa característica se tornou dominante na espécie”, explica.

Lobo-guará em seu habitat natural- Metrópoles
O lobo-guará é um animal solitário e cobre muitos quilômetros de área procurando alimento

Um “lobo” que não é exatamente lobo

Apesar do nome, o lobo-guará não é um lobo no sentido clássico. Melissa explica que o animal pertence à família dos canídeos, mas faz parte de um gênero exclusivo chamado Chrysocyon. “Ele não é um lobo como os europeus, nem uma raposa. É um canídeo único”, afirma.

Os verdadeiros lobos surgiram e se diversificaram principalmente no Hemisfério Norte há milhões de anos. Já o lobo-guará evoluiu na América do Sul após a chegada de ancestrais dos canídeos ao continente. Cada indivíduo ocupa grandes territórios, caminhando quilômetros durante a noite em busca de alimento.

Outro fato curioso é que o lobo-guará não vive apenas de carne. Uma parte importante da sua dieta vem de frutas, especialmente a lobeira, que pode representar até metade da alimentação do animal. Além de servir como alimento, ela possui propriedades que ajudam a combater parasitas nos rins do lobo.

Para Claysson, a lobeira tem grande importância ecológica no Cerrado. “Mesmo na estação seca, ela continua representando uma parcela significativa da dieta. O animal também consome insetos, roedores, tatus e outros pequenos vertebrados”, afirma.

Diferente de muitos canídeos que vivem em grupo, o lobo-guará costuma ter comportamento solitário. Os indivíduos geralmente se encontram apenas durante o período reprodutivo, mas o casal pode cooperar no cuidado com os filhotes.

Espécie importante para o equilíbrio do Cerrado

Os especialistas destacam que o lobo-guará tem papel fundamental para a manutenção do Cerrado. Por consumir frutos e espalhar sementes ao longo de grandes áreas, o animal ajuda na regeneração da vegetação. Ele é um importante dispersor de sementes e também controla populações de pequenos animais.

Claysson afirma que a presença do lobo-guará pode indicar ambientes mais equilibrados. “Como precisa de grandes áreas de vegetação nativa, proteger o animal também ajuda a conservar várias outras espécies”, diz.

Principais ameaças

Apesar da importância ecológica, o lobo-guará enfrenta ameaças crescentes. Entre os principais problemas estão a perda de habitat, o desmatamento do Cerrado, atropelamentos em rodovias e doenças transmitidas por cães domésticos.

Segundo os especialistas, a expansão agrícola e urbana continua reduzindo áreas naturais do bioma. Atualmente, cerca de metade do Cerrado original já foi perdida.

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