Cientistas criam Onlyfans para financiar longo estudo sobre marmotas
Pesquisa que acompanha marmotas teve problemas para continuar devido aos cortes de financiamento e criou um OnlyFans para arrecadar dinheiro

Desde 1962, pesquisadores acompanham as mudanças de vários aspectos de marmotas-de-barriga-amarela selvagens no Colorado, nos Estados Unidos. Batizado de Rocky Mountain Biological Laboratory Marmot Project, o estudo é considerado um dos mais longevos do mundo e avalia ao longo do tempo como vai a reprodução, o desenvolvimento populacional, o comportamento, a fisiologia e a evolução dos bichos na região.
No entanto, o estudo de 64 anos teve problemas para continuar devido aos cortes de financiamento promovidos pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump. A solução? Criar o OnlyMarms, um perfil na plataforma OnlyFans que mostra a rotina das marmotas e não envolve conteúdo adulto.
De acordo com uma das líderes do estudo, Julien Martin, da Universidade de Ottawa, no Canadá, a ideia surgiu quando Daniel Blumstein, outro participante da pesquisa, estava assistindo à série Margo’s Got Money Troubles, na qual uma mulher cria uma conta no OnlyFans para ajudar na renda de casa.
“Ele estava sozinho, observando a neve por algumas horas depois de assistir à muita TV e pensando em como poderíamos ganhar dinheiro. De repente, ele disse: ‘Ah, talvez possamos fazer um OnlyFans, mas só com as marmotas.’ À noite, ele apresentou a ideia aos alunos, e eles adoraram”, conta Martin em entrevista ao portal IFL Science.
O perfil funcionou e deu um novo fôlego aos cofres do projeto. O OnlyMarms conseguiu cerca de US$ 6 mil (pouco mais de R$ 30 mil, na cotação atual), dos quais a plataforma fica com aproximadamente 20%. Apesar de ter ajudado, o valor não foi suficiente para manter o estudo, que tem um custo estimado em US$ 100 mil por ano (cerca de R$ 515 mil).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo entanto, o OnlyMarms fez sucesso e chamou a atenção nas redes, o que rendeu uma ajuda financeira de um grupo anônimo de negociadores de criptomoedas. Eles criaram a criptomoeda $OnlyMarms e, por meio de taxas cobradas a cada transação feita com a moeda, foram arrecadados e doados ao projeto ao menos US$ 120 mil (cerca de R$ 618 mil).
Os valores recebidos garantem a continuidade do projeto por pelo menos mais um ano. No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda necessitam de fontes de financiamento mais estáveis para manter o estudo no longo prazo.
Atualmente, os cientistas estão na 11ª geração de marmotas observadas. Entre as principais mudanças nos animais associadas às alterações climáticas, já foram registradas a elevação da massa corporal devido aos verões mais longos e invernos mais curtos e uma mortalidade maior causada pela menor quantidade de neve.



