China prepara missão ambiciosa para buscar água no sul da Lua
Chang’e 7 tem lançamento previsto para 24 de agosto e vai explorar áreas permanentemente sombreadas da lua em busca de gelo

A China se prepara para lançar a Chang’e 7, uma das missões lunares mais complexas desenvolvidas pelo país, com o objetivo de explorar o polo sul da Lua e procurar evidências de água congelada em regiões que praticamente não recebem luz solar. O lançamento está previsto para 24 de agosto de acordo com informações da Administração Espacial Nacional da China (CNSA), ao site Space.
Na última quarta-feira (19/8), a sonda e o foguete Long March-5 Y14 foram transportados verticalmente para a área de lançamento no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan.
A Chang’e 7 chegou ao local em abril, enquanto o foguete desembarcou em julho, e ambos passaram pelos processos de montagem e testes. Antes da decolagem, ainda serão realizadas verificações dos sistemas, testes conjuntos e o abastecimento do veículo.
Uma missão com quatro componentes
A Chang’e 7 integra a quarta fase do programa chinês de exploração lunar e reúne um orbitador, um módulo de pouso, um veículo explorador e um equipamento capaz de realizar pequenos saltos pela superfície. A estrutura permitirá combinar observações feitas da órbita com análises diretamente no solo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEntre os principais objetivos científicos estão o estudo do ambiente, do relevo, da composição e da estrutura da Lua, além da procura por água congelada no polo sul. A região desperta interesse porque algumas crateras continuam permanentemente na sombra e atingem temperaturas extremamente baixas, condições capazes de favorecer a preservação de gelo.
O equipamento saltador terá papel central na busca, pois foi projetado para se deslocar entre áreas iluminadas e regiões sombreadas, permitindo medições em locais de difícil acesso para veículos lunares convencionais.
Água pode ser recurso para futuras missões
A identificação de depósitos de gelo ajudaria os cientistas a compreender melhor a origem e a distribuição da água na Lua e também teria importância para a exploração espacial de longo prazo. No futuro, recursos encontrados no próprio satélite poderiam reduzir a necessidade de transportar determinados suprimentos da Terra.
A Chang’e 7 também levará instrumentos científicos desenvolvidos por outros países, resultado de uma cooperação internacional coordenada pela China. Os equipamentos contribuirão para estudos da superfície lunar, da poeira, do ambiente de plasma e de outros fenômenos.
A missão dá continuidade a uma sequência de projetos chineses. Em 2019, a Chang’e 4 realizou o primeiro pouso controlado no lado oculto da Lua; em 2020, a Chang’e 5 trouxe amostras do satélite para a Terra; e, em 2024, a Chang’e 6 realizou a primeira coleta e retorno de material do lado oculto.
Com a Chang’e 7, o foco passa para o polo sul e para a busca direta por água congelada. A missão também antecede a Chang’e 8, planejada para testar tecnologias relacionadas ao aproveitamento de recursos lunares e contribuir para os planos de uma futura estação internacional de pesquisa na Lua.



