China pode pousar na Lua antes dos EUA na corrida lunar. Entenda
País desenvolve nova nave e módulo lunar para missão tripulada enquanto cronograma americano enfrenta atrasos no programa Artemis
atualizado
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A China pretende enviar astronautas à superfície da Lua até 2030 e pode acabar chegando antes dos Estados Unidos ao satélite natural. O plano faz parte de um programa espacial que vem avançando com testes de novas espaçonaves e foguetes desenvolvidos para missões tripuladas.
Enquanto isso, a Nasa trabalha para levar novamente humanos à Lua por meio do programa Artemis, mas atrasos no desenvolvimento de alguns equipamentos têm empurrado o cronograma. Hoje, a agência americana prevê um pouso tripulado apenas em 2028.
Essa diferença de calendário abriu a possibilidade de que a China realize o primeiro pouso humano na Lua desde 1972, quando os astronautas da missão Apollo 17 deixaram a superfície lunar.
Como será a missão chinesa
O plano chinês envolve duas espaçonaves que trabalharão juntas durante a missão. A nave tripulada chamada Mengzhou transportará os astronautas até a órbita da Lua a bordo do foguete Longa Marcha 10.
Outro lançamento levará o módulo de pouso Lanyue, responsável por levar os astronautas até a superfície lunar. As duas espaçonaves devem se encontrar na órbita da Lua antes da descida.
A Mengzhou pode transportar até sete astronautas em missões próximas da Terra, mas apenas três devem participar das viagens até a Lua.
Em fevereiro, a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA) realizou o primeiro teste da cápsula em um voo não tripulado. A missão avaliou sistemas importantes, incluindo o mecanismo de escape de emergência e a separação da nave do foguete.
Em entrevista à Nature, o diretor do Laboratório de Pesquisa Espacial da Universidade de Hong Kong, Quentin Parker, afirmou que os avanços indicam que o programa está em fase avançada.
Antes da missão tripulada, a nave ainda deve realizar novos voos de teste, incluindo uma missão não tripulada para a estação espacial chinesa Tiangong.
Onde os astronautas podem pousar
Para a primeira missão, os cientistas chineses estudam possíveis áreas de pouso próximas ao equador lunar. Essa região é considerada mais segura para as primeiras tentativas porque possui terrenos relativamente planos.
Entre os locais analisados está uma área vulcânica antiga chamada Rimae Bode. Segundo pesquisadores chineses, o local pode conter material proveniente das camadas mais profundas da Lua e fragmentos gerados por grandes impactos.
“Pousar em Rimae Bode seria como abrir um livro de história em alta definição sobre a vida da Lua”, declarou o cientista planetário Jun Huang, da Universidade de Geociências da China, à Nature.
A análise dessas rochas pode ajudar a responder perguntas sobre a formação da Lua e também sobre a história inicial da Terra.
Planos de bases na Lua
No longo prazo, tanto a China quanto os Estados Unidos planejam estabelecer presença permanente na Lua.
O governo chinês pretende desenvolver, junto com a Rússia, uma base chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) na década de 2030. O projeto inclui estudos geológicos, observações astronômicas e outras pesquisas científicas.
Os Estados Unidos também discutem a construção de uma base lunar, com foco especialmente na região do polo sul. Cientistas acreditam que essa área pode conter depósitos de gelo de água, que poderiam ser usados para produzir combustível de foguete e apoiar missões futuras.
Segundo especialistas, embora o retorno humano à Lua muitas vezes seja apresentado como uma corrida entre países, os objetivos chineses estão mais ligados à exploração científica de longo prazo.
