metropoles.com










Corrida espacial 2.0: EUA e China disputam quem chegará à Lua até 2030

Programas dos Estados Unidos e da China avançam com estratégias distintas para chegar até a Lua e prometem mais do que uma mera visita

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

mikiell/Getty Images
Planeta Terra no universo ou espaço, Terra e galáxia em uma nebulosa (Elementos desta imagem renderizada em 3D fornecidos pela NASA). Metrópoles - lua
1 de 1 Planeta Terra no universo ou espaço, Terra e galáxia em uma nebulosa (Elementos desta imagem renderizada em 3D fornecidos pela NASA). Metrópoles - lua - Foto: mikiell/Getty Images

Em 1969, os astronautas da Apollo 11 se tornaram os mais famosos do mundo ao chegar à Lua. A chegada da nave estadunidense marcou o ápice da corrida espacial na Guerra Fria e por décadas a disputa entre a Nasa e os cosmonautas soviéticos parecia ter ficado perdida na poeira do espaço. Nos últimos anos, porém, com a ascensão da China no cenário mundial, os motores voltaram a se esquentar em uma série de lançamentos de foguetes.

Agora, tanto a Nasa como a Cnsa possuem missões espaciais agendadas para chegar ao satélite em 2030 e os planos são mais ambiciosos do que apenas estacionar na Lua, como ocorreu há quase seis décadas. Os planos de exploração científica e até econômica do satélite estão em discussão, podendo levar à revisão de acordos internacionais e até à primeira colonização do espaço.

Disputa para chegar até 2030

“Até 2030, o programa dos EUA, liderado pela Nasa, deve se concentrar no retorno de astronautas à Lua e em pesquisas para comprovação de tecnologias para uma presença sustentável e de longo prazo no satélite. Já a China prioriza a exploração robótica, a avaliação de recursos e a construção de uma infraestrutura controlada rumo a uma base permanente”, resume o astrônomo Alexandre Bergantini, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OV-UFRJ), apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

A convergência de prazos criou cenário comparável à corrida espacial do século 20 e especialistas indicam que isso pode não ser por acaso. Em uma audiência pública no Senado dos EUA, os políticos americanos afirmaram que a China poderia ameaçar a soberania americana ao se estabelecer na Lua antes da nova missão da Nasa, mas o cenário é desolador aos EUA.

“A menos que algo mude, é altamente improvável que os Estados Unidos consigam cumprir o cronograma projetado pela China”, disse o ex-administrador da Nasa, Jim Bridenstine, no evento.

Conquistas da China e dos EUA na corrida

A Nasa planeja levar astronautas à superfície lunar por meio da missão Artemis III, embora atrasos acumulados e as rusgas na parceria com a SpaceX, de Elon Musk, que fornecerá os foguetes necessários, gerem incerteza. A nave Starship tem passado por melhorias a cada ano e conseguiu completar suas três últimas missões com sucesso, dando fôlego aos planos de viagem dos EUA.

“A nave já conquistou vários avanços na possibilidade de reuso e em seu escudo térmico. Mas ainda há um grande passo em levar os seres humanos para viagens completas, especialmente quando pensamos no combustível”, explica Fábio Raia, professor da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

Mais do que chegar, porém, o desafio envolve a sustentabilidade, cadência de missões, infraestrutura e produção científica, na qual o programa de avanços consistentes da China parece levar vantagem. Entre as conquistas deles, a missão Chang’e-6, em junho de 2024, entregou as primeiras amostras do lado oculto da Lua coletadas por uma sonda robótica.

“Geopoliticamente, seria uma grande mudança de prestígio se a China chegar lá antes e poderia influenciar as normas futuras sobre operações e recursos lunares. Cientificamente, aceleraria as descobertas, mas potencialmente de forma mais fragmentada se o compartilhamento de dados permanecer limitado”, diz Bergantini.

Desafios para chegar lá

Ambos países, porém, enfrentam uma série de desafios impostos pela natureza do cosmos para cumprirem seus objetivos. Uma viagem espacial de longa duração pode levar à perda de massa óssea e muscular, além de o organismo sofrer com impactos da radiação.

As agências estão mitigando esses problemas com aprimoramentos na blindagem e na vestimenta dos futuros astronautas. Mas os custos de se envolver em uma operação dessa seguem, literalmente, astronômicos.

“Até 2030, tudo se resume a aprender a viver e trabalhar fora da Terra, resolvendo problemas relativos à geração de energia, ao uso de recursos in situ, a construção na superfície lunar, e a adaptação humana. A Lua é o campo de testes. Se conseguirmos manter tripulações lá, reduziremos drasticamente o risco inerente associado a bases lunares permanentes e, em última análise, de missões humanas a Marte”, conclui Bridenstine.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?