China enviou embriões humanos artificiais ao espaço. Saiba por quê
Na disputa contra os Estados Unidos, China tenta liderar a corrida espacial para se estabelecer na Lua
atualizado
Compartilhar notícia

A China continua investindo pesado na corrida espacial contra os Estados Unidos. Antes de lançar a espaçonave tripulada Shenzhou-23 ao espaço no último domingo (24/5), o país asiático já havia enviado um veículo de carga, o Tianzhou-10, em 11 de maio, em direção à Estação Espacial Tiangong. Na bagagem do primeiro voo, havia embriões humanos artificiais, que fazem parte do primeiro projeto experimental chinês com esse tipo de estrutura.
Segundo comunicado divulgado pela Academia de Ciências Chinesa (CAS, na sigla em inglês), as amostras são derivadas de células-tronco humanas, e o objetivo dos pesquisadores é avaliar como o ambiente de microgravidade afetará o desenvolvimento embrionário humano inicial.
“Apesar de não se tratar de um embrião humano real e não ter a capacidade de se desenvolver em um indivíduo, o experimento pode servir como modelo para o estudo do desenvolvimento humano inicial”, explica o líder do projeto, Yu Leqian.
De acordo com Leqian, os resultados do estudo ajudarão a nortear pesquisas sobre a habitação humana a longo prazo no espaço, o que explorará também questões como sobrevivência e reprodução por lá. O projeto se conecta com o grande objetivo chinês na corrida espacial: estabelecer bases contínuas na Lua e em Marte.
Os embriões devem permanecer “ativos” por cinco dias no espaço. Após esse período, serão congelados ainda em órbita para serem trazidos de volta ao nosso planeta. Por aqui, além da análise de resultados, as estruturas serão comparadas com amostras idênticas que estão sendo desenvolvidas na Terra.
“Esperamos que, ao comparar o desenvolvimento de amostras espaciais e terrestres, possamos identificar os fatores que afetam o crescimento embrionário humano inicial no ambiente espacial e abordar os riscos e desafios que os humanos podem enfrentar durante a habitação espacial de longo prazo“, conclui Leqian.