Cheiro de chuva existe mesmo? Entenda o fenômeno do petricor

Especialistas explicam por que o cheiro característico da chuva surge após as primeiras gotas e quais substâncias químicas estão envolvidas

atualizado

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Chuva lá fora, nas janelas da casa. Trópicos. Metrópoles
1 de 1 Chuva lá fora, nas janelas da casa. Trópicos. Metrópoles - Foto: Freepik

Quem nunca percebeu um cheiro particular no ar quando as primeiras gotas de chuva começam a cair? Muitas pessoas associam esse aroma a uma sensação de frescor ou até nostalgia. Mas será que esse cheiro realmente existe ou é apenas uma impressão causada pela memória ou pela imaginação?

Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o fenômeno é real e tem explicação científica.

O professor Luiz Roncaratti, do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), explica que esse odor é provocado por moléculas liberadas do solo e da água quando entram em contato com a chuva.

Ele diz que a forma como percebemos esse aroma pode variar de pessoa para pessoa. Em muitos casos, o cheiro é considerado agradável porque pode despertar memórias ou a sensação de alívio após períodos de calor e seca.

“O que muda é a percepção. Algumas pessoas associam esse cheiro a algo revigorante ou nostálgico. Em outros contextos, como na presença de alimentos, essas mesmas moléculas podem lembrar cheiro de mofo ou gosto de terra”, diz.

O que é o petricor?

O cheiro característico da chuva tem até nome na ciência. Ele é chamado de petricor. O termo foi criado em 1964 por cientistas australianos que estudavam a liberação de compostos aromáticos quando a água da chuva entra em contato com o solo.

Luiz esclarece que quando as gotas de chuva atingem o chão, ocorre um processo físico que ajuda a espalhar as moléculas responsáveis pelo aroma.

“O tamanho médio das gotas de chuva é de cerca de dois milímetros e elas atingem o solo com velocidade próxima de 30 quilômetros por hora. Quando colidem com a superfície, liberam pequenos aerossóis que carregam compostos presos no solo para o ar”, explica.

Essas partículas microscópicas acabam sendo transportadas pela atmosfera e chegam facilmente ao nosso olfato, criando o cheiro característico percebido logo no início da chuva.

Quais substâncias formam esse cheiro

Diversas substâncias químicas podem participar desse processo. Uma das mais conhecidas é a geosmina, produzida por bactérias presentes no solo.

O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse composto é um dos principais responsáveis pelo aroma de terra molhada.

“As bactérias presentes no solo produzem uma substância chamada geosmina, que é uma das principais responsáveis pelo cheiro que sentimos quando começa a chover”, afirma o pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Além dela, outros compostos também podem contribuir para o fenômeno. Entre eles estão substâncias liberadas pela vegetação e gases presentes na atmosfera.

“Óleos essenciais das plantas, compostos voláteis liberados pelas folhas e até ozônio podem participar desse processo. O ozônio, por exemplo, pode gerar um cheiro mais fresco ou metálico que algumas pessoas percebem antes ou durante a chuva”, aponta.

Cheiro é mais forte após a seca

Muita gente percebe que o cheiro da chuva costuma ser mais intenso depois de longos períodos sem precipitação. Segundo os especialistas, essa percepção também tem explicação científica.

“Quando há períodos prolongados de seca, essas substâncias ficam acumuladas no solo. Quando finalmente chove, elas são liberadas ao mesmo tempo, o que pode tornar o cheiro mais forte”, afirma Micael.

Luiz acrescenta que vários fatores ambientais influenciam a intensidade do petricor.

“A intensidade depende do tempo de seca, da porosidade do solo, da presença de microrganismos e até da velocidade da chuva. Chuvas leves e moderadas parecem ser mais eficientes em liberar esse aroma”, explica.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno envolve processos físicos, químicos e biológicos complexos que ainda continuam sendo estudados pela ciência. “Provavelmente ainda vamos descobrir outros aspectos interessantes sobre esse fenômeno”, conclui o professor.

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