Especialista alerta para os perigos que o período de seca traz à saúde
Médica pneumologista alerta para riscos respiratórios e dá dicas para o enfrentamento do clima seco, típico do inverno brasiliense
atualizado
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O cenário de inverno no Distrito Federal segue marcado por temperaturas amenas e queda na umidade relativa do ar. Esses fatores têm impacto direto na saúde respiratória da população, especialmente entre grupos vulneráveis.
A estação começou, oficialmente, no dia 20/6, e dura até 22/9. Esse período é marcado por redução de chuvas, e por consequência, queda na umidade relativa do ar, além de baixa temperatura durante o período da noite até o amanhecer.
De acordo com Gilda Elizabeth, pneumologista do Hospital Brasília Águas Claras, a oscilação térmica e o ar seco prejudicam as vias aéreas: “Pode haver aumento na produção de secreções, piora da rinite, da asma e maior suscetibilidade a infecções respiratórias”, afirma.
A médica explica que grupos mais vulneráveis, como crianças, estão mais expostas pelo fato de ainda estarem com sistema respiratório e imunológico em formação. Idosos, também incluídos na população de risco, apresentam imunidade mais frágil e maior propensão ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Cuidados recomendados
Para proteger a saúde durante os dias de clima seco, a especialista recomenda cuidados simples, mas eficazes.
Relacionados à hidratação externa e interna, a profissional orienta hidratação com água, chás e sucos, realizar lavagem do nariz com soro fisiológico para manter a mucosa hidratada, usar umidificadores de ambiente, ou improvisar a umidificação com bacias de água e toalhas molhadas no ambiente.
É importante priorizar ambientes ventilados e evitar exposição a cheiros fortes, fumaça e poeira.
O oftalmologista da Secretaria de Saúde (Ses-DF) Frederico Loss, comenta que o clima seco prejudica também a superfície ocular. Portanto, os olhos ficam mais suscetíveis a irritações, inflamações e infecções. O profissional orienta a utilização de lubrificantes oculares para redução de possíveis sintomas.
“Um sintoma frequente e que costuma confundir muitas pessoas é o lacrimejamento excessivo. Apesar de parecer um sinal de hidratação, na verdade, é uma resposta do organismo à secura ocular: são lágrimas reflexas que não cumprem a função protetora do filme lacrimal”, explica o médico.
Diferença entre sintomas gripais e relacionados à seca
Com a baixa da umidade, é comum que as manifestações do corpo sejam confundidas com gripe ou outras doenças respiratórias infecciosas. “De uma maneira bem geral, quando a pessoa tem muita moleza, muita vontade de ficar deitada, febre e secreção, seja por tosse ou coriza — uma secreção purulenta, amarelada, esverdeada — é mais provável que seja uma infecção”, explica.
Quanto aos quadros relacionados ao tempo seco, os sintomas mais comuns são nariz entupido, tosse seca e constante, piora à noite, irritação nos olhos e até sangramentos nasais. “A baixa umidade resseca o nariz, a garganta e os pulmões, assim como a pele”, complementa a médica.
Previsão do tempo
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a massa de ar frio que passou pelo DF estabilizou as temperaturas mínimas, que devem continuar entre 13ºC e 15ºC nos próximos dias.
A previsão é de tardes mais quentes, com máximas que podem ultrapassar os 28ºC. Nos horários com temperatura mais elevada, a umidade relativa do ar tende a abaixar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta, somando às recomendações já realizadas, evitar a realização de esforço físico entre 12h e 15h, além da exposição direta ao sol nos períodos mais quentes.
