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Ciência

Brasil compra 2 computadores quânticos para resolver contas complexas

Brasil adquiriu dois computadores quânticos recentemente. A tecnologia é uma das mais cobiçadas por países e instituições do setor privado

05/07/2026 02:00
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Unsplash
Imagem colorida de computador quântico - Metrópoles

Desenvolvida ao longo de décadas, a computação quântica tem revolucionado a ciência. Em comparação com supercomputadores tradicionais, a tecnologia consegue resolver problemas e cálculos matemáticos de alta complexidade de forma consideravelmente mais rápida. 

As ações complexas realizadas pelos computadores quânticos fazem com que eles sejam um alvo tecnológico de muitos países, recebendo investimentos bilionários governamentais e do setor privado. Algumas nações os tratam com ativos importantes para a soberania científica e tecnológica.

O Brasil está na lista dos países que possuem a tecnologia. Em março, a Paraíba recebeu os dois primeiros computadores quânticos operacionais do país. Ambos estão localizados no Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba (CIQuanta) e têm capacidade de 20 e 100 qubits.

“Ter os primeiros computadores quânticos operacionais do país é importante porque ajuda a formar pesquisadores, desenvolver competências nacionais e aproximar universidades e empresas dessa tecnologia”, destaca o físico Rafael Chaves, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Para o físico, o fato do Nordeste ter sido o lar dos primeiros computadores quânticos do Brasil também é essencial. “Isso contribui para descentralizar a pesquisa de ponta no Brasil e fortalecer a região como um polo de inovação”, comemora.

Tecnologia de ponta

Como diz o próprio nome, os computadores avançados utilizam os princípios da física quântica para funcionar. Na computação tradicional, os bits, que podem valer 0 ou 1, são utilizados como unidade de informação. Na quântica, usa-se os qubits, uma unidade de informação que pode variar entre 0, 1 ou ambos, em fenômeno chamado superposição – é por causa dele que a tecnologia tem alta capacidade de realizar cálculos complexos de forma rápida.

Isso permite atacar certos problemas de uma forma diferente e por vezes muito mais eficiente do que na computação tradicional”, afirma o físico.

Na prática, a resolução dos problemas complexos por parte de um computador quântico ajuda a simular moléculas e átomos, tornar rotas logísticas complexas mais otimizadas, acelerar a inteligência artificial e testar sistemas de criptografias avançadas.

“Um computador quântico é importante no desenvolvimento de novos materiais e moléculas, como ligas metálicas com propriedades especiais ou novos fármacos. Ele também ajuda a resolver problemas que levam muito tempo para otimizar se o número de variáveis for grande, como no roteamento de conexões de sistemas de comunicação ou rotas de caminhões de entrega com número de pontos muito grande”, exemplifica a física Valéria Loureiro da Silva, do Centro de Competência Embrapii Cimatec em Tecnologias Quânticas.

Mas afinal, o computador quântico substituirá o tradicional?

Alguns podem até pensar que daqui a alguns anos todos terão computadores quânticos em casa, porém, segundo os especialistas entrevistados pelo Metrópoles, o cenário não deverá ser assim.

“Eles serão complementares e usados em aplicações específicas”, explica Valéria, que também é coordenadora da Quantum Industrial Innovation (QuIIN).

A afirmativa tem explicação: os computadores tradicionais executam muito bem a maioria das tarefas do dia a dia. Além disso, o custo e a complexidade da tecnologia quântica é bastante elevado. No futuro, apenas centros de computação de alto desempenho devem ter computadores quânticos.