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Ciência

Cientistas da UnB realizam experimento quântico inédito em Brasília

Segundo os pesquisadores, sucesso do experimento coloca a Universidade de Brasília (UnB) na rota para desenvolver tecnologias quânticas

23/01/2026 15:29
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Arquivo pessoal
Imagem colorida mostra homens brancos sorrindo para a foto - Metrópoles

Pela primeira vez no Distrito Federal, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) realizaram um experimento de física quântica para demonstrar que a luz não tem o comportamento previsto pela física clássica. A atividade foi realizada em 13 de janeiro no laboratório de tecnologias quânticas da universidade, que foi inaugurado recentemente e é vinculado ao Instituto de Física (IF/UnB).

Para os cientistas, o teste bem sucedido será essencial para investigar melhor as particularidades da luz e ainda ajudará no desenvolvimento de tecnologias que envolvam física quântica na universidade. 

“Mais do que um resultado pontual, o experimento inaugura uma plataforma experimental estratégica para a UnB”, aponta um dos responsáveis pelo experimento, Luiz Roncaratti, professor do Instituto de Física.

Além de Roncaratti, o trabalho foi realizado em parceria com o professor Filippo Ghiglieno, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no estado de São Paulo.

Como é o experimento quântico realizado?

Basicamente, o teste gerou de forma controlada pares de fótons (partículas de luz) emaranhados. O experimento do emaranhamento quântico é bem sucedido quando ambas partículas ficam tão ligadas que um acontecimento afeta as duas no mesmo instante, mesmo que estejam longe uma da outra.

Para conseguir alcançar o resultado, os cientistas utilizaram um feixe de laser violeta com comprimento de onda de 405 nanômetros para atravessar um cristal especial. A entrada de um fóton mais forte no cristal promove a criação de dois mais fracos e emaranhados. O efeito é chamado de conversão paramétrica espontânea descendente.

Assim, foi possível recriar em laboratório o experimento de Grangier-Roger-Aspect, considerado um marco da física e responsável por provar que fótons se comportam de um jeito que só a mecânica quântica explica.

O teste quântico é inédito em Brasília e foi realizado apenas em grandes centros de pesquisa com infraestrutura de ponta.

“Com o sucesso do experimento, o laboratório passa a integrar o ecossistema de ensino, pesquisa e extensão em tecnologias quânticas da Universidade, abrindo caminho para investigações em áreas como comunicação quântica, computação quântica, metrologia de alta precisão e estudos fundamentais em física”, avalia Roncaratti.