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Ciência

2,8 milhões de enguias se encontram em monte submarino para reprodução

Reunião das enguias já era conhecida desde a década de 1980. Estudo estima que biomassa de animais chegou a 3,5 mil toneladas métricas

28/10/2026 17:09
Scoulding et al., R. Soc. Open Sci. , 2026
Imagem colorida mostra enguias na água - Metrópoles

Todos os anos, muitas enguias-cesto (Diastobranchus capensis) encontram-se ao redor de um monte submarino chamado Patience, no sul da Tasmânia, para se reproduzir. Ao investigar o tamanho da “reunião reprodutiva”, um novo estudo estimou que a concentração pode chegar a 2,8 milhões de peixes em um mesmo lugar.

A reunião das enguias já era conhecida desde as décadas de 1980 e 1990 através de relatos de pescadores da região. Estudos anteriores descobriram que os peixes se reproduziam no local. Já na pesquisa atual, o objetivo era estimar, com precisão, quantos convidados costumavam estar presentes nesse encontro reprodutivo.

Os resultados liderados pelo cientista marinho Ben Scoulding, da CSIRO da Austrália, foram publicados na revista Royal Society Open Science nesta quarta-feira (28/10).

Para chegar aos achados, entre 2023 e 2025, a equipe de pesquisa utilizou sonar para mapear as concentrações de enguias na água. Medições acústicas com imagens de câmeras subaquáticas ajudaram a diferenciar os animais-alvo dos peixes-relógio (Hoplostethus atlanticus), um bicho que também se reúne na região.

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Ao analisar os dados, descobriu-se que, em seu auge, o encontro tinha extensão de cerca de 3 km de comprimento, 2 km de largura e ficava 150 metros acima do fundo do mar. A totalização da biomassa das enguias envolvidas chegou a mais de 3,5 mil toneladas métricas em maio.

“O tamanho era impressionante. Estimar que poderia haver até 2,8 milhões de enguias e mais de 3,5 mil toneladas de biomassa concentradas em torno de um único local realmente destaca o quão extraordinário é o monte submarino Patience”, destaca Scoulding, em entrevista ao portal Science Alert.

Ainda segundo as descobertas, o encontro pode durar de dezembro a agosto, uma duração que surpreendeu os cientistas. “Sabíamos que ela existia, mas não esperávamos que estivesse presente durante grande parte do ano”, diz Scoulding.

Apesar dos achados, ainda não se sabe o motivo de as enguias escolherem justamente aquele monte submarino, sendo que há outros espalhados pela região. O fato demonstra a importância da proteção de habitats remotos em águas profundas para a biodiversidade marinha.