Sócia de Virginia fundou “império da beleza” com Japa do PCC. Entenda
Samara Pink, uma das sócias da WePink, já foi associada a Karen de Moura Tanaka Mori, investigada por associação ao PCC
atualizado
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Quase cinco anos antes de conhecer Virginia Fonseca e formar a parceria responsável por uma das empresas de cosméticos mais conhecidas do país, Samara Pink, sócia e fundadora da WePink, teve outra grande parceira de negócios: Karen de Moura Tanaka Mori, empresária conhecida como a “Japa do PCC”.
A viúva da ex-liderança da facção criminosa — Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, executado em 2018 — e Samara Cahanovich Martins, hoje Samara Strabile, deram início à sociedade em 2015. Dois anos depois, no fim de 2017, fundaram a primeira loja: uma das maiores franquias de extensão de cílios do país, a PinkLash.

Segundo Telles Rodrigo Gonçalves, advogado da investigada pela Justiça de São Paulo, Karen e Samara tinham uma parceria comercial sólida, comprometida e bem-sucedida. A participação no conjunto de empresas, tanto de lucros quanto de responsabilidades, seria dividida meio a meio entre as sócias.
Publicações nas redes oficiais durante o período em que trabalharam juntas mostram que as filiais da PinkLash receberam grandes personalidades como Viih Tube, Gracyanne Barbosa, Belo e Virginia Fonseca.
“[Samara e Karen] venderam quase 100 lojas pelo Brasil, espalhando a marca, assim como a Samara conta nas redes sociais”, detalha o advogado. “Porém, a Karen não aparecia, pois sempre foi mais reservada”, acrescenta.
Sociedade estremecida
Em 2018, Thiagho Strabile, então companheiro e hoje marido de Samara, entrou na sociedade e o trio passou a dividir as filiais entre si. À época, os empresários apareciam como sócios em pelo menos quatro empresas, que juntas formavam a estrutura responsável por ao menos 10 unidades apenas em São Paulo.
Além das lojas, o grupo também investiu em uma empresa de insumos voltada ao mercado de beleza e cosméticos. Esses produtos eram posteriormente fabricados e vendidos nas franquias da Pink Lash.
Em outubro de 2018, Karen abriu a empresa KK Participações LTDA, voltada para administração de locação de aluguel, compra e venda de imóveis próprios e outras sociedades de participações. À época, a empresária informou o endereço de uma das filiais da Pink Lash, da qual constava como única sócia, como sede.
É esta empresa que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a “Japa do PCC” usava para administrar o suposto esquema de lavagem de dinheiro dos “bens escondidos” supostamente herdados do ex-marido.
Prisão da “Japa do PCC”
- Karen de Moura Tanaka Mori foi presa em 8 de fevereiro de 2024 na zona leste da capital paulista;
- Segundo a investigação, ela teria assumido os negócios do marido e teria papel importante na lavagem de dinheiro do PCC;
- Com ela, os policiais apreenderam mais de R$ 1 milhão e US$ 50 mil em espécie;
- A polícia diz que a “Japa do PCC” atuava em Santos, Cubatão e Guarujá, no litoral, e na cidade de São Paulo;
- Para lavar dinheiro da facção, ela usaria comércios na área de beleza, imóveis e uma empresa do irmão;
- O pai dela também é suspeito de participar do esquema.
Dois anos depois, em setembro de 2020, Karen informou uma mudança da sede da empresa para outra filial da Pink Lash, administrada por Thiago. Neste endereço funcionaram, durante o período, pelo menos outros três CNPJs ligados ao grupo, segundo dados públicos do governo de São Paulo.
Segundo a defesa da investigada, a entrada de Thiago na sociedade já havia abalado a relação entre Samara e Karen. A ruptura definitiva, porém, teria ocorrido após a aproximação de Samara com Virginia Fonseca, em 2020. Em 2021, a influenciadora se tornou sócia do casal.
“A Karen estruturou e alavancou os negócios, mas depois a Samara quis tocar o negócio sozinha com o marido. E após ela conhecer a Virginia Fonseca, através da Pink Lash, ela decidiu montar a WePink”, afirma o advogado de Karen.
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“Conheci a Virginia através da Pink Lash”, contou Samara Pink ao Metrópoles, à época. “Ela veio fazer os cílios comigo e então nos tornamos íntimas! Fui convidada para ser madrinha do seu casamento e a amizade foi se tornando mais forte. Depois, começamos a pensar em fazer negócios juntas, porque já tínhamos confiança uma na outra; eu, possuía o conhecimento na área e ela, a potência, e assim, acabamos juntando tudo”, afirmou.
Segundo o advogado de Karen, Samara apresentou uma proposta em 2021 para comprar a parte da sócia. Naquele momento, a Pink Lash teria cerca de 80 filiais que, segundo os sócios, atendiam aproximadamente 8 mil clientes por mês — com faturamento médio mensal de R$ 50 mil.
À reportagem, a defesa não informou o valor negociado, estimado em milhares de reais, mas afirmou que o pagamento teria sido feito em dinheiro em espécie.
O fim da sociedade teria se concretizado, de fato, a partir de 2022. Em 2023, o endereço da KK Participações mudou para um grande edifício comercial na capital paulista. O local é o mesmo informado como sede da VF Holding e Participações Ltda., empresa fundada em 2024 para administrar bens ligados a Virginia Fonseca.
“Japa do PCC” é acusada de lavagem de dinheiro da facção
Fundada por Karen Mori em outubro de 2018, a KK Participações era, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), usada para administrar os “bens ‘escondidos’ de Cabelo Duro”, que teriam ficado sob responsabilidade da empresária após a execução da liderança do PPC, oito meses antes. Em um período de seis anos, a empresa teria movimentado cerca de R$ 35 milhões.
O órgão afirma, segundo consta em um documento divulgado pelo Metrópoles em 2024, que a empresária assumiu um estilo de vida incompatível com o patrimônio declarado após a morte do marido e a abertura da empresa. “Houve o aumento patrimonial de Karen a partir de bens ‘escondidos’ de Cabelo Duro”, afirmou o MPSP.
“Há informação de que Karen continua atuando e tem grande prestígio junto ao PCC, administrando os bens com ajuda de outros indivíduos que têm confiança nela para as operações”, detalha o órgão.
À época, a “Japa” alegou em interrogatório que “nunca recebeu qualquer quantia” do marido, que teria morrido “sem deixar quaisquer bens e dinheiro”.
Além disso, ela informou que as grandes movimentações em dinheiro seriam provenientes dos lucros e da eventual venda da participação em empresas no período, como foi o caso com a Pink Lash.
A defesa alega ainda que o dinheiro em espécie encontrado pelas autoridades paulistas – R$ 1.039.600 e cerca de US$ 50 mil (R$ 265 mil) – durante o cumprimento de mandado na casa de Karen, em fevereiro de 2024, seria parte proveniente da venda da participação na Pink Lash.
A investigada, sob medidas cautelares como tornozeleira eletrônica desde 2024, disse que não depositou o dinheiro no banco porque “temia que as autoridades a ligassem exatamente ao crime organizado e aos fatos ilícitos que a imprensa noticiava do seu marido”.
À Justiça paulista, o advogado da “Japa da PCC” apresentou um pedido nesta quarta-feira (5/3) pedindo o arquivamento do inquérito que investiga Karen Mori. Ele também apela em 2ª instância que as investigações, de assumido caráter meramente financeiro, deveriam ser assumidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).
O Metrópoles tentou contato com a assessoria de Samara Pink e representação jurídica das empresas Pink Lash e WePink, mas não teve retorno. O espaço segue em aberto.






















