Japa do PCC: tornozeleira é mantida e defesa fala em “pena antecipada”
Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido para revogação da tornozeleira eletrônica de Karen de Moura Tanaka Mori, a “Japa do PCC”
atualizado
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A Justiça de São Paulo negou o pedido de revogação da tornozeleira eletrônica feito pela defesa de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”. A decisão atendeu a uma orientação do Ministério Público de São Paulo, que foi contra o pedido.
O advogado de Karen, Telles Rodrigo Gonçalves, afirmou ao Metrópoles neste sábado (31/1) que sua cliente está sofrendo constrangimento ilegal e fala em “pena antecipada”. Segundo ele, Karen usa o monitoramento de forma desnecessária há dois anos.
“Uma pessoa não pode ficar dois anos presa preventivamente sem denúncia, isso é pagar pena antes de ser processada, o que é vedado pela Constituição Federal, a cliente vem sofrendo constrangimento ilegal pois tem seu direito de ir e vir violado direito esse garantido por lei”, disse Telles.
A defesa de Karen reitera que ela está restrita de liberdade sem ter sido denunciada formalmente: “Até o momento está impedida de exercer seu direito de defesa, pois tem dois anos sem o término da investigação. A defesa está tomando as medidas necessárias para que sua liberdade seja estabelecida”, afirmou.
Gonçalves reitera ainda que “assim que o Ministério Público oferecer a denúncia iremos provar sua inocência” e prometeu entrar com um Habeas Corpus.
Investigada por lavar dinheiro da facção, Karen está presa desde fevereiro de 2024.
A Japa do PCC é viúva do ex-líder da facção Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, executado em 2018.
Prisão da Japa do PCC
- Karen de Moura Tanaka Mori foi presa em 8 de fevereiro de 2024 na zona leste da capital paulista.
- Segundo a investigação, ela teria assumido os negócios do marido e cumpria papel importante na lavagem de dinheiro do PCC.
- Com ela, os policiais apreenderam mais de R$ 1 milhão, além de US$ 50 mil.
- A polícia diz que a Japa do PCC atuava em Santos, Cubatão e Guarujá, no litoral, e na cidade de São Paulo.
- Para lavar dinheiro da facção, ela usaria comércios na área de beleza, imóveis e uma empresa do irmão.
- O pai dela também é suspeito de participar do esquema.
A investigação que levou à prisão da viúva de Cabelo Duro começou em junho de 2023, na cidade de Praia Grande.
Segundo o delegado Artur Dian, os investigadores chegaram até a mulher após terem detectado a movimentação financeira da célula do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Os relatórios de informações financeiras obtidos pela Polícia Civil indicam que a suspeita movimentava milhões de reais da facção para ocultar a origem do dinheiro oriundo do tráfico de drogas”, afirmou.
No dia da sua prisão, em 2024, os agentes da Polícia Civil apreenderam no apartamento de Karen, no Jardim Anália Franco, Tatuapé, R$ 1 milhão e US$ 50 mil em dinheiro. Durante interrogatório, ela alegou à polícia que tem como comprovar a origem do dinheiro e que a quantia encontrada refere-se à “abertura e venda de estabelecimentos comerciais”.
Ao converter o flagrante em prisão preventiva, o juiz Fábio Pando de Matos, observou, durante audiência de custódia na Vara de Plantão da Capital, que Karen “não apresenta condições financeiras compatíveis com aquilo que foi apreendido na casa dela”.
Na opinião do magistrado, após a morte de Cabelo Duro, a Japa do PCC “assumiu as funções espúrias do marido e passou a administrar os bens ilícitos dele, com aumento substancial de seu patrimônio, gozando de prestígio junto à conhecida facção criminosa”.
De acordo com a Polícia Civil, a Japa do PCC atuava em Santos, Cubatão e Guarujá, no litoral paulista, e na cidade de São Paulo. Para lavar dinheiro da facção, ela usaria comércios na área de beleza, imóveis e uma empresa do seu irmão. O pai dela também é suspeito de participar do esquema.








