Weintraub nega vazamentos e diz que houve “sabotagem” no Enem

Ministro avaliou que o andamento não foi comprometido e atribuiu qualidade do conteúdo à “postura republicana do governo Bolsonaro"

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 11/11/2019 7:18

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou na noite deste domingo (10/11/2019) que houve “sabotagem” no Enem 2019 para “aterrorizar a população brasileira” e negou vazamento de conteúdo. Na avaliação do ministro, a realização do exame não foi comprometida.

“Não é um vazamento interno. Não teve nada a ver com o Enem. Na ponta, indivíduos desses 5 milhões de pessoas que fazem o Enem, estatisticamente irrelevantes, ao final da prova, antes do período autorizado, se comportaram de forma inadequada. Portanto, o risco foi zero”, justificou.

Neste último dia de exame, um homem que divulgou o conteúdo antes do horário permitido foi identificado e um boletim de ocorrência foi registrado. O ministro não soube precisar quantas ocorrências foram registradas relacionadas à divulgação irregular da prova. “Não foi só um. Teve mais casos. A gente fez boletim de ocorrência”, disse.

De acordo com o chefe da pasta, os casos são isolados e não comprometem a aplicação do exame. “Se um dia essa cara de 18 anos fizer uma entrevista de emprego — não sei se é o caso dessa pessoa específica, porque deve ser um playboy — vai ter que se explicar porque fez um ato ilícito”, disse. Weintraub pontuou ainda que os jovens não ficaram presos porque no Brasil “não se consegue manter na cadeia nem mesmo um ladrão contumaz”. Mudando de assunto, falou: “Não vou polemizar”.

Segundo Weintraub, duas mulheres de Fortaleza (CE) foram pagas para prejudicar o andamento da prova e o fizeram de forma premeditada no primeiro dia de aplicação.

“Aplicadoras fizeram aquela sabotagem, gerando mal-estar para toda a população. Foram identificadas, localizadas, e agora vão passar dias maravilhosos. Já estou conversando com a Polícia Federal. Aparentemente, são militantes”, disse.

Em um contexto geral, Weintraub disse que o Enem 2019 foi o melhor dos últimos anos, destacou a ausência de questões político-ideológicas e atribuiu o formato à “postura republicana do governo Bolsonaro”.

“A gente não está vendo nenhuma crítica técnica em relação às provas. Acho que foi um sucesso. Queria bater palma para toda a equipe”, afirmou.

Vazamento no primeiro dia

Na semana passada, o Inep informou ser verdadeira a imagem da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 que circula nas redes sociais. A foto teria sido feita em Pernambuco, de acordo com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. A origem e a identidade do responsável pela divulgação da imagem estão sob investigação pelos órgãos competentes.

O ministro da Educação usou as redes sociais para informar que a divulgação da foto não compromete o exame. “Todos os procedimentos [de segurança] haviam sido realizados, a prova já havia sido distribuída para todo mundo e alguém tirou a foto e colocou nas redes”, explicou o ministro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ministro disse que a suspeita é de que o vazamento e a publicação tenha partido do estado de Pernambuco.

“Isso aparentemente aconteceu em Pernambuco e a gente está chegando ao nome da pessoa”, disse o ministro em vídeo publicado no Twitter. Segundo ele, o caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

As apurações apontam que um aplicador de prova teria pegado a prova de um ausente e tirou a foto.“Agora, ele vai ter que responder na Justiça”, disse o ministro. “Ninguém foi lesado, mas houve a tentativa de colocar em xeque o Enem”, avaliou.

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