“Você precisa é dar”: suspeito de assédio, médico do TJGO é demitido

Profissional é investigado por exigir “favores sexuais”, quando diretor do Centro de Saúde do tribunal, além de assédio moral e corrupção

atualizado 29/09/2021 9:57

Medico TJGO assedio sexualArquivo pessoal

Goiânia – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a demissão do médico do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), Ricardo Paes Sandre. Ele é suspeito de assédio sexual e moral contra servidores e corrupção passiva, enquanto era diretor do Centro de Saúde do órgão. Entre os casos investigados, o profissional teria importunado uma estagiária como perguntas como: “Você é virgem?”; e frases do tipo: “Você precisa é dar”.

A decisão do plenário do CNJ foi dada nessa terça-feira (28/9). O médico já foi acionado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por quatro vezes, por responder a três ações civis públicas e uma denúncia criminal.

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De acordo com a denúncia do MPGO de 2020, Ricardo utilizou sua superioridade hierárquica para solicitar de mulheres favores sexuais em troca de benefícios.

Dez mulheres denunciaram o médico por serem vítimas de constrangimento, humilhação e importunação sexual. Também foram apurados nove casos de assédio moral praticados contra homens e mulheres.

Influência

Ainda segundo a denúncia do MPGO, o médico ostentaria sua influência no Poder Judiciário por ser genro do ex-presidente do TJGO, Gilberto Marques Filho, e irmão de um juiz.

Em janeiro de 2019, Ricardo chegou a fazer acusações contra os promotores responsáveis pela investigação e pediu o afastamento deles.

“Você precisa é dar”

As investigações contra o médico ocorrem desde 2018. As vítimas narraram episódios constantes de assédio durante o trabalho, segundo matéria do Estadão Conteúdo, de janeiro de 2019.

Uma estagiária do TJGO contou que “durante as caminhadas nos corredores” Sandre a “abordava e constantemente com uma série de perguntas como”: “Você é virgem?”, “Você tem namorado?” “Você precisa é dar!”.

Outra funcionária afirmou ter entrado em depressão após perseguições. “Quando eu ficava irritada com as insinuações sexuais, (ele) dizia que adoraria me acalmar na cama.”

A vítima também relata ter ouvido barganha de gratificações. “Doutora, mas eu posso ver uma gratificação, ou poderia deixar a sua, para caso você queira virar minha amante.”

Levado ao erro

Em nota, a defesa do médico avaliou como desproporcional e injusta a penalidade aplicada pelo plenário do CNJ. Para o advogado Jefferson Roberto de Sá, os elementos de prova foram analisados de forma imparcial, “valorando-se apenas aqueles que interessavam à narrativa do MPGO.”

A defesa vai recorrer da decisão e reiterou que Ricardo é inocente de todas as acusações, que seriam “frutos de maldosa manipulação dos fatos por quem o denunciou”. Para o advogado, o CNJ foi levado ao erro pelas ilações do MPGO.

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