Vice-campeã relata racismo no Miss Universo SP: “Nunca fui tão hostilizada”

Miss Guarulhos 2020/2021, Ieda Favo publicou um vídeo nas redes sociais para denunciar racismo e ato agressivo de coreografo do concurso

atualizado 08/10/2021 15:36

Ieda Favo, vice-campeã do Miss Universo SP 2020/2021Reprodução/Instagram

Rio de Janeiro – A modelo Ieda Favo, eleita Miss Guarulhos 2020/21, denunciou que sofreu racismo no Miss Universo SP deste ano. A jovem, que também é atriz, foi vice-campeã do concurso e relatou a discriminação em suas redes sociais.

Nesta quinta-feira (7/10), Ieda Favo compartilhou um vídeo para contar sobre episódios de racismo durante a competição do Miss Universo SP. No desabafo, a modelo afirmou que nunca se sentiu tão hostilizada:

“Coisas horríveis aconteceram e não quero que se repitam com outras pessoas. Nunca fui tão hostilizada. Deixando bem claro que não tenho interesse na faixa nem na coroa. Estou aqui em forma de apelo pra que isso não se repita com nenhuma menina”, disse a atriz no Instagram.

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O evento foi realizado no último sábado, 2, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e teve Bianca Lopes como vencedora. A modelo contou que sempre foi orientada a permanecer atrás das demais candidatas quando faziam fotos e vídeos no Miss Universo SP.

“Sempre me pediam pra ficar atrás, no fundo, nos momentos das fotos e vídeos. Quais eram as justificativas? Era por conta da minha cor, porque sou negra? Por conta da minha condição social, da minha cidade?”, completou.

Pedidos não atendidos

Cerca de 20 dias antes do concurso, a vice-campeã enviou uma lista com os cuidados necessários para o seu cabelo. No entanto, segundo Ieda Favo conta no vídeo, o pedido não foi atendido e não havia profissional para cabelos afro e nem produtos específicos para ela usar para se apresentar.

“Eu que tive que cuidar do meu cabelo, porque não tinha profissionais nem produtos. Só chegou muito depois pra eu mesma fazer”, contou no vídeo.

A modelo ainda relatou sobre um episódio de hostilidade, praticado pelo coreógrafo do evento. No vídeo, Ieda conta que ele a “pegou pelo braço de forma abrupta e rude” para que ela ficasse onde ele queria.

“Fui a única que ele tocou e ele tocou de forma forte, dura. Você que não sabe, passei por muitos problemas na minha infância e adolescência que me geraram traumas. E um homem daqueles me segurar de forma rude me remeteu ao meu passado. Fiquei extremamente abalada, fiquei extremamente desnorteada. E isso ao vivo, 196 países estavam nos assistindo. Ele fez isso só em mim, em nenhuma outra candidata. Tudo isso pra me expor diante das pessoas, dos jurados. A exposição ao meu erro era o objetivo”, disse a modelo.

Em nota enviada ao Metrópoles, o concurso Miss Universo SP afirmou que “não pactua com qualquer tipo de preconceito, discriminação e intolerância”. Os responsáveis já solicitaram as imagens do episódio citado por Ieda e também vão ouvir outras participantes para saber o que aconteceu.

“O Miss Universo São Paulo repudia qualquer atitude discriminatória, seja ela no ambiente do concurso ou fora dele”, diz parte da nota.

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