Eleição 2026

Venezuela: direita brasileira teme fracasso de Trump perto da eleição

Se por um lado grupos conservadores celebram a intervenção dos EUA, por outro se preocupam com possível crise humanitária no continente

atualizado

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1 de 1 manifestacao-emabixadavenezuelaeua - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles (@hugobarretophoto)

Lideranças da direita temem que uma intervenção malsucedida dos Estados Unidos na Venezuela prejudique o grupo na eleição de 2026. Correligionários e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, querem explorar a queda do presidente Nicolás Maduro e a ligação dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas temem se tornar alvo de críticas caso a crise perdure até o pleito de outubro.

Sob reserva, políticos da direita consideram que é preciso observar a situação com cuidado. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu administrar a Venezuela por um período de transição. O temor é que a intervenção estrangeira não ajude ou piore a crise econômica no país, com possível nova crise de refugiados, dando à esquerda uma plataforma para criticar a direita, que apoiou o ataque de Washington.

O governo Lula, por sua vez, se prepara para explorar da sua maneira a intervenção de Trump. O petista condenou o ataque e a captura de Maduro e planeja, para a eleição, uma nova campanha de defesa nacional. Seria uma reedição, em nível de América Latina, do discurso anti-intervenção adotado com sucesso após o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil.


EUA x Venezuela

  • Os Estados Unidos começaram a atacar embarcações venezuelanas em setembro de 2025, alegando, sem provas, combate a grupos de narcotráfico estabelecidos na Venezuela.
  • Washington mobilizou uma frota de embarcações, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para o mar do Caribe.
  • O presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.
  • A escalada continuou e resultou num ataque em larga escala, realizado em paralelo a uma operação militar para captura de Maduro e da primeira-dama, Cília Flores.

O resultado dependerá, justamente, das consequências do ataque. Se a intervenção melhorar a situação social na Venezuela, pelo menos até a eleição, a tendência é de que a direita tenha uma vitrine para explorar e uma frente de desgaste para Lula. Em caso de piora, temem que o tiro saia pela culatra, com o petista fortalecido.

Há precedente para esse temor. Os EUA invadiram o Iraque em 2003 e conseguiram derrubar o regime de Saddam Hussein. A queda, porém, foi sucedida por anos de instabilidade, conflitos e ascensão de grupos extremistas, como o Estado Islâmico (EI).

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Maduro foi capturado no sábado (3/1)
Ofensiva  norte-americana em solo venezuelano foi realizada neste sábado (3/1)
Maduro sob custódia de policiais dos EUA
Imagens da ofensiva realizada em Caracas
Nicolás Maduro chega aos Estados Unidos
EUA ataca Caracas, capital da Venezuela
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EUA ataca Caracas, capital da Venezuela

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Maduro foi capturado no sábado (3/1)

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Ofensiva  norte-americana em solo venezuelano foi realizada neste sábado (3/1)
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Ofensiva norte-americana em solo venezuelano foi realizada neste sábado (3/1)

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Maduro sob custódia de policiais dos EUA

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Nicolás Maduro chega aos Estados Unidos
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Nicolás Maduro chega aos Estados Unidos

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Nicolas Maduro capturado
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Nicolas Maduro capturado

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Nesse domingo (4/1), Donald Trump indicou que o conflito pode estar longe do fim. Ele ameaçou a atual comandante do país, Delcy Rodríguez, e afirmou que a vice de Nicolás Maduro poderá pagar um “preço alto” se não colaborar com os planos dos Estados Unidos.

O ataque

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4/1) que a operação que capturou o ditador Nicolás Maduro, na Venezuela, “não é uma invasão”. Ele reforçou que a Casa Branca não está governando a Venezuela, mas apenas conduzindo a direção para “onde isso vai daqui para frente”.

O resultado da ação, que envolveu bombardeio e uma operação complexa para a captura de Maduro, foram pelo menos 80 mortos, segundo o The New York Times.

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realizou uma reunião extraordinária de ministros das relações exteriores dos países-membros para discutir a situação da Venezuela após o ataque. Não houve nota conjunta feita pelo bloco.

Em paralelo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram um posicionamento conjunto destacando seu “rechaço” às ações militares e pedindo que a crise no país vizinho seja resolvida por meios pacíficos.

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