Eleição 2026

Prisão de Maduro dá munição para direita rebater aproximação Lula-Trump

Direita quer explorar relação de Lula com Maduro e Chávez e acredita que intervenção interrompe lua de mel entre petista e republicano

atualizado

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Colagem mostra Lula e Maduro - Metrópoles
1 de 1 Colagem mostra Lula e Maduro - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Caciques da direita brasileira avaliam que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela tira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um dos seus “trunfos” para a eleição de 2026: a aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump. Além de sequestrar o presidente Nicolás Maduro, Washington promete uma longa estadia em Caracas, o que deve prolongar a crise diplomática com governos de esquerda América do Sul.

A avaliação é compartilhada pelo entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência. Segundo aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula não poderá vender na campanha uma “boa relação” com Trump enquanto o condena pela intervenção militar na Venezuela.

Nesse sábado (3/1), logo após os primeiros ataques dos EUA, Lula repreendeu os ataques. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou o petista.

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Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
Donald Trump, presidente dos EUA
Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA
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Imagens da ofensiva realizada em Caracas
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Imagens da ofensiva realizada em Caracas

Jesus Vargas/Getty Images
Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
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Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina

Reprodução / Esquerda Diário
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Donald Trump, presidente dos EUA
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Donald Trump, presidente dos EUA

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Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA
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Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA

Reprodução/X
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Líderes da direita também acreditam que a prisão de Maduro permitirá que o governo Trump avance na investigação de ligações internacionais do ditador venezuelano e do antecessor, Hugo Chávez. Uma delação do presidente sequestrado, acreditam, poderia atingir aliados na América Latina.

De uma maneira ou de outra, o entorno da pré-campanha de Flávio entende que a Venezuela assumirá papel central na eleição. Caciques já recomendaram o levantamento de documentos, vídeos e fotos que mostrem a proximidade de Lula com Hugo Chávez, fundador do regime em vigor, e seu sucessor.


EUA x Venezuela

  • Os Estados Unidos começaram a atacar embarcações venezuelanas em setembro de 2025, alegando, sem provas, combate a grupos de narcotráfico estabelecidos na Venezuela;
  • Washington mobilizou uma frota de embarcações, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para o mar do Caribe;
  • O presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional;
  • A escalada continuou e resultou num ataque em larga escala, realizado em paralelo a uma operação militar para captura de Maduro e da primeira-dama, Cília Flores.

Maduro e Lula, porém, romperam relações em 2024, após o petista não reconhecer o resultado da última eleição na Venezuela, feita sob forte desconfiança internacional. O presidente venezuelano não apresentou as atas do pleito após a votação, mas o Conselho Eleitoral Nacional afirmou que ele venceu a disputa com 51,21% dos votos.

Trunfo com Trump

O Planalto atrela parte da recuperação de popularidade do petista em 2025 ao estabelecimento de uma relação com Trump. Em julho, os EUA impuseram um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, como repressão ao que considerava ser uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e uma balança comercial “injusta”.

O governo Lula não cedeu, afirmando que tratava-se de uma tentativa de intervenção no processo da trama golpista, pelo qual Bolsonaro foi preso e condenado posteriormente. Um encontro na Assembleia Geral da ONU em setembro, com direito a elogios ao petista, e uma reunião na Malásia em outubro, porém, mudaram a situação.

Trump e Lula passaram a conversar, levando ao alívio do tarifaço, o que por sua vez inviabilizou a atuação do então deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho de Bolsonaro tentou instigar Washington a agir contra o governo petista em nome do pai, mas a inflação norte-americana levou o republicano a deixar o ex-presidente de lado.

A situação deu a Lula duas pautas positivas. A primeira, de um comportamento pragmatista para conduzir negócios em nome da economia brasileira. A segunda, de que Bolsonaro está isolado internacionalmente.

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