Veja quem é Assis Peixoto, prefeito preso por suspeita de pedofilia em GO

Político há 30 anos em São Simão, no sudoeste do estado de Goiás, ele é acusado por sete vítimas que o denunciaram por crimes sexuais

atualizado 02/09/2021 18:42

Prefeito preso pedofilia Sao Simao GoiasReprodução/Facebook

Goiânia – A cidade de São Simão, na região sudoeste de Goiás, a 370 quilômetros da capital, vive um alvoroço desde que começou a circular a informação de que o prefeito foi flagrado ao assediar sexualmente um adolescente pela internet. Pelo menos sete já denunciaram o político em menos de duas semanas.

Francisco Assis Peixoto, do PSDB, é uma pessoa conhecida no município desde os anos 1980, quando ele foi candidato a vereador pela primeira vez. De lá para cá, foram 15 anos em algum cargo eletivo na política municipal, além de nomeações no governo estadual.

Assis Peixoto ou simplesmente Assis, como é conhecido, tem 58 anos e está preso de forma preventiva desde a última quarta-feira (28/7). Ele foi detido quando estava em Goiânia e permaneceu em silêncio em seu depoimento ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), que o investiga por crime sexual contra a dignidade sexual de menor.

Próximo de todos

Católico e devoto de São Francisco de Assis, santo que inspirou seu nome, o prefeito até tem uma máscara personalizada com a imagem do protetor dos animais. Mas os crimes que são atribuídos ao político por, até agora, cinco vítimas do sexo masculino, nada têm a ver com referências de castidade ou santidade.

Assis é muito popular na cidade e na região. Na denúncia, uma das vítimas descreveu o político como: brincalhão, extrovertido, muito simpático e humilde. Essas características provocariam encantamento e dariam liberdade para conversas e aproximação. Não é por acaso que ele conquistou tantos mandatos eletivos na cidade.

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Durante entrevista ao canal do PSDB no Facebook, quando era pré-candidato, em junho de 2020, Assis disse que a parte mais relevante nos seus oito anos de prefeito era o seu relacionamento próximo com as pessoas.

“Eu costumo dizer para as pessoas, que o meu melhor secretário, em todo tempo de prefeitura, foi o meu celular”, declarou.

A primeira denúncia contra o prefeito foi feita no dia 19/7. Assis teria assediado um adolescente de 17 anos pelo WhatsApp. Além disso, enviou imagens pornográficas e ofereceu carona à vítima.

Início e trajetória

Assis trabalhou na recepção e na parte administrativa do hotel de um irmão, quando era jovem. Natural de Araguari (MG), ingressou na política como líder estudantil na escola, já em São Simão (GO).

Uma de suas inspirações na política nos anos de 1980 foi o então casal de prefeito e primeira-dama, Salvador e Leonor Capanema. Ele declarou isso em entrevista de 2020 ao canal do PSDB no Facebook.

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O atual vice-prefeito, Fabio Capanema (PP), é filho do casal. A ex-mulher de Assis, Gabriela Capanema, de quem se divorciou, é sobrinha de Leonor. Os Capanemas são uma importante família na região.

Cargos públicos

Sua primeira filiação partidária foi em 1988 no Partido Progressista Brasileiro (PPB). Nos dois primeiros mandatos de prefeito entre 2005 e 2012, ele estava filiado ao Partido Progressista (PP). Ele só se filiou ao PSDB em 2020.

Assis foi vereador entre 1993 e 2000. No governo Marconi Perillo (PSDB), atuou como secretário de Cidadania e diretor financeiro e de operações do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (DETRAN-GO).

Processos

O Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a cassação de diplomas de prefeito e vice-prefeito de São Simão, pouco antes da posse de 2020. Ambos respondem a processos por improbidade administrativa.

Assis já foi condenado por contratação ilegal de assessoria contábil e Fábio já foi condenado por usar veículo oficial para fazer compras em Uberlândia (MG).

O patrimônio declarado do prefeito no ano passado foi de R$ 1,4 milhão. O valor é 228% a mais que na sua última relação de bens, em 2008, quando declarou R$ 440 mil.

Assis foi eleito com 4.277 votos em 2020, o que representa 40,65%. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele declarou como ocupação ser técnico em contabilidade, estatística, economia doméstica e administração. Ele tem ensino médio completo.

Prisão

A operação que levou o prefeito à prisão foi batizada de Paideia, termo do grego antigo que procura sintetizar a noção de educação na sociedade grega clássica. A palavra tem relação com a educação voltada para as crianças, referindo-se à educação familiar, bons modos e princípios morais.

Além da prisão do prefeito, foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Participaram da ação quatro promotores de Justiça, quatro delegados da Polícia Civil e 12 policiais civis.

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