Vacinação em massa com AstraZeneca põe em xeque “sommelier de vacina”

O secretário de Saúde de Botucatu falou sobre a crescente recusa da vacina e o resultado de estudo que apresentou queda nos casos de Covid

atualizado 29/06/2021 5:50

Vacinação em massa em Botucatu (2)Divulgação/Prefeitura de Botucatu

São Paulo – O resultado do estudo da vacinação em massa em Botucatu, no interior de São Paulo, trouxe esperança para o secretário de Saúde da cidade, André Spadaro. A comoção ganhou contornos ainda mais significativos no momento em que parte da população brasileira se torna “sommelier de vacina”, ou seja, quer escolher com qual vacina será imunizada. De preferência, Pfizer ou Janssen, já que os fármacos AstraZeneca e Coronavac têm sido rejeitados nos postos de vacinação.

“Enquanto aguarda uma vacina de ‘grife’, essa pessoa pode ser infectada, adoecer, precisar de um leito de hospital, de UTI e até vir a óbito. Essa postura é inadequada porque todas as vacinas que temos são muito boas. Devemos pensar no coletivo e não só individualmente”, afirma Spadaro.

De acordo com estudo do Ministério da Saúde, Botucatu teve queda de 71,3% nos casos de Covid-19 após a vacinação em massa. Em 16 de maio, mais de 66 mil moradores com idade entre 18 e 60 anos receberam a primeira dose do imunizante AstraZeneca.

Além da queda de casos, o número de internações também caiu drasticamente. Houve redução de 46% nesse índice, quando 50 pessoas ocupavam um leito hospitalar em 25 de junho, contra 92 duas semanas antes, no dia 9.

Até o momento, Botucatu é a cidade do estado de São Paulo que mais aplicou a primeira dose contra a Covid-19. De acordo com o Vacinômetro, 81,29% da população recebeu metade da imunização. Serrana, que participou do estudo do Instituto Butantan, está em segundo lugar, com 75,46% do total.

A gestão municipal trabalha com a possibilidade de flexibilização para além do Plano São Paulo, do governo estadual, a partir de setembro.

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Segundo Dia D

Com os números animadores, André Spadaro agora vê como desafio alertar a população de que são necessárias duas doses para a imunização completa. O segundo dia de vacinação tem data marcada: 8 de agosto, curiosamente Dia dos Pais.

“Talvez o mote da campanha seja reforçar a necessidade da segunda dose para que ninguém perca mais um chefe de família”, sugere.

Outra tarefa é explicar às pessoas que o uso de máscara de proteção, álcool em gel e distanciamento social são necessários mesmo depois de ser vacinado.

Os moradores precisarão apresentar o certificado de vacina ou RG e CPF para comprovar a imunização como parte do estudo, sem a necessidade de carregar comprovante de residência ou título de eleitor. A Prefeitura de Botucatu também estuda antecipar o calendário das pessoas vacinadas em 22 maio para 8 de agosto.

Em 16 de maio, a principal preocupação era atender a população sem causar transtornos. Para isso, a cidade adotou o esquema de dia de votação, incluindo 45 colégios eleitorais, 304 seções e quatro ginásios adicionais.

“Eu descreveria domingo como surreal. Demorou para a ficha cair porque eu estava mais envolvido com a questão logística. Quando vi que 35 mil pessoas já haviam sido vacinadas ao meio-dia, senti uma tranquilidade. Nós entendemos que foi um dia histórico para Botucatu”, declara.

Em maio, a imunização com a AstraZeneca foi suspensa para grávidas e puérperas, após registro de óbitos no país. Hoje esse público é vacinado com Coronavac e Pfizer.

Todos os habitantes de Botucatu que participaram da vacinação em massa receberam uma cartela de paracetamol para uso no caso de febre e dor corporal, as reações mais comuns.

A cidade recebeu 80 mil doses da vacina para participar do estudo. Desse total, 77 mil foram aplicadas até o momento. Além do dia 16 de maio, a prefeitura realizou outras ações e incluiu também moradores de municípios vizinhos, como São Manuel e Areiópolis, que trabalham em Botucatu. Os imunizantes têm validade até outubro deste ano.

Para o empresário Eduardo Baroni, 44 anos, a vacinação em massa tornou mais palpável a ideia de voltar à normalidade. Ele é proprietário de um restaurante que está fechado para atendimento presencial desde o início da pandemia.

“A única saída para isso tudo é a vacinação. Já está dando resultado. Não estamos isolados do mundo, mas vai melhorar muito para a cidade. A expectativa é totalmente positiva”, afirma.

Quem também aguarda a segunda dose da AstraZeneca é Danilo Marcel, 37, funcionário de um restaurante em Botucatu. Toda a sua família foi vacinada contra a Covid-19. “Em nome de Jesus já está dando resultado”, exclamou.

Botucatu tem 16.402 casos e 260 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia. Ao todo, 25 pessoas estão internadas em leitos de UTI e 40 em vagas de enfermaria, segundo boletim divulgado na segunda-feira (28/6).

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