Tratamento precoce da Covid: médico pede que MPF apure omissão do CFM

A ideia é pressionar o Conselho Federal de Medicina a condenar o tratamento precoce para a doença

atualizado 04/03/2021 18:47

comprimidos em fundo azulHAL GATEWOOD/UNSPLASH

Bruno Caramelli, médico cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), apresentou representação no Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) contra o Conselho Federal de Medicina (CFM). O profissional pede que seja instaurado inquérito civil para apurar as responsabilidades do CFM diante da disseminação da falsa ideia de tratamento precoce contra a Covid-19, com o uso indiscriminado de medicamentos como a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina.

A representação traz abaixo-assinado com 4,2 mil assinaturas. A ideia é pressionar o Conselho Federal de Medicina a condenar o tratamento precoce para a doença. “É incontestável a sua relevância e representatividade frente à sociedade brasileira”, cita.

O documento enviado ao MPF afirma que a atuação do CFM é apontada como “omissa e grave”. O médico, representado por seus advogados, pede que sejam apuradas as responsabilidades civil, administrativa e/ou penal da diretoria do conselho. “Requer-se ainda sejam os representados citados para prestarem os devidos esclarecimentos, bem como que adequem as suas respectivas condutas”, solicita.

A representação destaca que “configura-se a omissão do Conselho Federal de Medicina em manifestar, publicamente, claro posicionamento científico com vistas a desestimular a propagação de práticas e informações enganosas consubstanciadas na prescrição médica de um suposto tratamento precoce contra a covid-19, que não tem nenhuma comprovação científica de eficácia”.

O documento ainda alega que essa “falsa segurança de saúde”, gerada pela ideia do tratamento precoce, estimula a população a abandonar as práticas que têm eficácia comprovada, como o uso de máscaras, assepsia de mãos e o isolamento social.

“Essa falsa crença em um tratamento ocasiona o descumprimento das medidas que comprovadamente impedem o alastramento da covid-19. E o descumprimento das medidas eficazes por uma parte da sociedade expõe à contaminação a população inteira do país”, destaca o documento.

 

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